O caminho


Não existem atalhos, não existem caminhos fáceis.

Não adiantar tentar saltar, quando você nem aprendeu a andar…

Temos o péssimo hábito de correr para nos tornarmos melhores que alguém, uma corrida sem sentido só para satisfazer nosso ego. Está tudo errado, TUDO errado.

“E onde a sorte há de te levar
Saiba o caminho é o fim, mais que chegar” – Little Joy (Next Time Around)

O aprendizado é que deve ser o nosso combustível, o resultado final não tem que ser o foco, e sim o aprendizado!

Paciência e tranqüilidade sempre devem ser a tônica do nosso caminho, seja lá o que estivermos aprendendo. A noção de que sempre existirá alguém que sabe mais e outros que sabem menos, jamais deve ser esquecida.

A arrogância de se considerar o melhor será sua ruína.

Estou lendo o livro Post-Dated: The schooling of an (ir)reverent bonsai monk, escrito por Michael Hagedorn. É um livro que relata o aprendizado de Michael no Japão, onde se tornou aprendiz de Mr. Shinji Suzuki. Existem diversas curiosidades sobre esse livro, como por exemplo a diferença de idade entre Michael e Mr. Suzuki, 5 anos apenas (Mr. Suzuki é 5 anos mais velho). Pra começar, Michael não chama o seu mestre de mestre, a palavra certa é Oyakata, que vem desde os tempos dos Samurais e significa algo como Lorde E Mestre, é muito mais um conceito do que uma palavra em si. O aprendizado se torna algo como uma relação entre pai e filho, e com conceitos completamente diferentes dos nossos…

Post-Dated

Se são melhores ou piores, vai do entendimento de cada um, porém o respeito e a paciência com a qual eles lidam com bonsai deve ser reverenciada. Tudo é feito com extrema calma e delicadeza, não importando quanto tempo se demora, cada tarefa é encarada como uma lição e eu acredito que é assim que deveria ser.

Um exemplo disso foi quando Michael deixou cair alguma coisa em cima de um bonsai bem valioso, fazendo com que o vaso rachasse. Ele ficou preocupado, pois o vaso custava vários mil dólares, quando Mr. Suzuki entrou no estúdio e viu o vaso, nada falou, causando estranheza em Michael. A lição veio depois… Nas duas semanas seguintes, Michael ficou responsável pela manutenção daquele bonsai, sem trocar o vaso.

Conseguem perceber a sutileza do aprendizado? Ele rachou o vaso, e foi obrigado a encarar seu erro por 2 (duas) semanas! E mais ainda, conseguem perceber o valor dessa lição? Vocês aprenderiam algo caso isso acontecesse com vocês? Considerando nossa educação e cultura, muitos estariam aliviados apenas, já que não teriam que pagar o prejuízo causado.

Em outra ocasião, Tachi (outro aprendiz de Mr. Suzuki) deixou cair um vaso durante um evento, quebrando-o. E Mr. Suzuki o dispensou do trabalho pelo resto do dia. Michael compreendeu mais tarde que aquilo não era um dia de folga para Tachi, já que ele não conseguiria aproveitar o seu “descanso“, passaria o dia inteiro sabendo que havia sido dispensado pelo erro que cometeu e isso era uma vergonha imensa. Como bem disse o amigo Sergivaldo, aqui no Brasil provavelmente teríamos pessoas quebrando vasos de propósito se fosse assim.

O livro não ensina técnicas e nem possui uma galeria com plantas que jamais teremos em mãos, é “apenas” o relato de um aprendizado no Japão, e por “apenas” eu quero dizer TUDO. A empolgação (relatada por Michael) de Mr. Suzuki ao receber uma planta em sua casa, planta esta que ele só conhecia por fotos, é contagiante. A forma como ele descreve a planta, falando sobre seu jin natural dizendo que esse era seu diferencial, e que por conta daquela característica, ela era considerada uma planta da “liga dos campeões” e que jamais poderia ser melhorada, não importa por quem fosse ou que ferramenta de jin utilizasse… Eu sempre busco fazer um paralelo com o que vejo aqui no Brasil, e tenho certeza de que muitos que se julgam mestres por aí não pensariam duas vezes antes de “refinar” o trabalho nesta planta, só para demonstrar alguma coisa e tentar “melhorar” algo que não deveria ser mexido.

E vejam bem, não estou falando sobre as técnicas utilizadas por japoneses, chineses ou vietnamitas. Estou falando da relação entre mestre e aprendiz, entre bonsaísta e bonsai, entre o ser humano e o respeito pela vida, seja esta vida qual for. Lembrem-se disso quando forem transplantar, podar ou aramar seu bonsai que é um ser vivo também.

Oficina de Bonsai – Luciano Benyakob (Parte II)


Se o primeiro dia já foi bastante prático, imaginem então o 2º dia…

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Oficina de Bonsai – Luciano Benyakob (Parte I)


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É um vício, eu confesso. Quando começamos não conseguimos mais parar, olhamos para nossas plantas e queremos acelerar o tempo, mesmo sabendo que isso não é possível. Acompanhe aqui as impressões e o aprendizado de um iniciante nesta arte milenar...

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