Vídeo

Dica do amigo André Dahmer. Não importa se você não consegue entender inglês, olhe atentamente o vídeo que você vai entender tudo, as modificações que ele vai fazendo na árvore e o resultado final. O Junípero utilizado neste vídeo é uma planta que aguenta bem o nosso clima aqui no Brasil (inclusive o calor do Rio de Janeiro), fica a dica para quem quiser adquirir um bonsai desses.

Mitos sobre Bonsai

Antes de continuar com os próximos passos ou cuidados sobre outras espécies (aliás, já viram o link que criei ali em cima? Guia de Espécies, aos poucos vou colocando conteúdo por lá), queria falar um pouco sobre os mitos relacionados a bonsai, que circulam por aí.

1 – Bonsai precisa de menos água do que uma árvore de verdade

É preciso entender que uma árvore na natureza, consegue fazer suas raízes crescerem até ela encontrar água no subsolo, e é óbvio que isso não ocorre com um bonsai (afinal, como ele vai ultrapassar o vaso?), e justamente por isso não devemos regar como muitas pessoas falam por aí… “Ahh, é só um copinho de água por dia, olha o tamanho da planta, nunca vai precisar de mais água do que isso“. Imagine que você passe dez horas debaixo de um sol escaldante, você vai se contentar com um copinho de 300ml de água? Mesma coisa o bonsai, ele precisa de tanta água quanto o clima exigir. Muito calor? Regue bastante, até mesmo 3 vezes por dia, sem medo… A água não vai ficar presa na terra, ela vai escorrer pelo furo (ou furos) que existem no vaso de bonsai. É preciso regar até que a água saia por aquele furo, não precisa também jogar água em excesso, pois você vai estar literalmente “lavando a terra“, tirando grande parte de seus nutrientes.

2 – Bonsai é uma forma de tortura para as plantas

Isso está longe de ser verdade, o fato dela estar plantada em um vaso pequeno, não significa que suas raízes estejam esmagadas ou que ela esteja sofrendo. O replantio existe para isso, para que a planta se desenvolva, e cresça mais. Sobre as podas, é bem verdade que na natureza a planta cresce livre, porém cortar galhos e folhas não causa sofrimento para a planta, e nem a aramação (quando bem feita), já que você não corta a planta e nem arranca seus galhos. Tudo é feito com calma, paciência e muito cuidado. Não é como um ortopedista que faz tração em algum osso quebrado, é um trabalho bem mais delicado e dedicado.

3 – Para se cultivar bonsai é preciso muito dinheiro

Bom, isso pode até ser verdade, se você quiser uma árvore de 150 anos de idade. Mas existem bonsai pequenos, jovens ainda, com 2 ou 3 anos, que não chegam a custar R$30,00. Claro, existem variações, tanto por causa da espécie (algumas espécies são raras aqui no Brasil), quanto por causa da idade e até mesmo do vaso em que o bonsai está plantado. O adubo também não é caro, com R$20,00 (em média) você compra adubo (Osmocote) suficiente para 3 ou 4 anos (já que você usa apenas uma colher de chá, a cada 4 meses), dependendo da quantidade e do tamanho de seus bonsai. As ferramentas podem ser caras, mas só se você realmente quiser virar um bonsaísta é que vai precisar comprar as ferramentas japonesas, que são cara por serem importadas.

4 – Dá pra fazer bonsai de qualquer árvore

Bom, de QUASE todas. Para ser considerado bonsai, não basta ser uma árvore em miniatura, plantada em uma bandeja (ou vaso raso), é preciso que tenha tronco lenhoso, ou seja, bananeira em miniatura NÃO é bonsai. Palmeira em vasinho NÃO é bonsai, são apenas mini-árvores, e são até bonitas, mas NÃO são bonsai. Cactus também NÃO é, mas isso eu nem precisava dizer, né?

Aos poucos irei colocar mais informações por aqui, afinal ainda existem muitos mitos a serem quebrados.

Alporquia

Também é conhecida por Borbulhia Aérea, a alporquia é uma das técnicas mais antigas na propagação de plantas, já tendo sido usada na China, há mais de 10 mil anos.

Consiste em envolver parte do ramo da planta com substrato (ráfia ou pedriscos) para induzir a formação de raízes, para isso recomenda-se escolher um ramo com até um ano, eliminando brotações laterais em torno de 15 à 30 centímetros antes do fim do galho, se forem escolhidos galhos mais velhos, lenhosos, pode haver a necessidade do uso de reguladores vegetais para induzir o enraizamento, isto é necessário, pois quanto mais velha a planta menor a concentração de hormônios presente na mesma. Recomenda-se o uso de Vitamina B1 ou fertilizante líquido (enraizador).

No ramo escolhido faz-se pequenas lesões, cortes ou anelamento, no local lesionado amarra-se com barbante uma ponta do plástico ou tecido cobrindo o ramo com um substrato leve, poroso e umedecido, que será envolto com tecido ou plástico transparente, amarrando e deixando bem presa as pontas do pacote que parce um “bombom”, a vantagem de se usar plástico transparente é que este permite visualizar a formação de raízes. Quando as raízes ficarem visíveis, corte o ramo e desembrulhe com cuidado, passando esta planta para um vaso e a mantenha em local sombreado para aclimatação antes de expor ao sol.

A época mais indicada para alporquia, é o início da primavera, quando as plantas estão em pleno crescimento e o tempo de permanência do “curativo” pode variar dependendo de cada espécie, alguns exemplos:

  • Espiradeira (Nerium oleander) – 8 semanas
  • Azaléias (Rhododendron sp) – 14 semanas
  • Figueira (Ficus sp) – 7 semanas
  • Ginko (Ginko biloba) – 4 meses
  • Jabuticaba (Myrciaria cauliflora) – 1 à 2 anos
  • Pitangueira (Eugenia uniflora) – 14 meses à 2 anos

Planejo aplicar esta técnica em uma Acerola, na casa da minha namorada em Minas Gerais, a árvore produz frutos durante o ano inteiro, então devo conseguir um bonsai já frutificando no vaso. Assim que fizer, colocarei fotos aqui, de todo o processo.

Gostaria de agradecer à Adriana de Biassio, por ter explicado melhor como aplicar esta técnica.

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