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Talento

Um tema polêmico, mas às vezes precisamos parar um pouco par apensar nesses assuntos, nos ajuda a seguir em frente… O texto original (que reproduzirei uma parte aqui) é do Art Of Bonsai, um fórum internacional que foca mais nas questões filosóficas/artísticas do bonsai, e foi escrito por Will Heath.

Talent
noun
Definition:
1. natural ability: an unusual natural ability to do something well, especially in artistic areas that can be developed by training
2. somebody with exceptional ability: a person or people with an exceptional ability – Encarta World English Dictionary

Ah talent, the natural ability to do something well. The one thing that separates artists from craftsmen, it is the common denominator of all great bonsai. With it, one can create artistic, beautiful, and inspiring bonsai, without it, one creates simply potted trees.

Talent is the defining factor that separates a passable bonsai from a truly inspiring piece of art. Talent is the ingredient that makes some bonsai masterpieces. The lack of talent is why some bonsai are just mediocre at best, nothing more than pale imitations of what bonsai truly is meant to be.

Call it talent, gift, aptitude, flair, bent, knack, or genius, the core meaning as stated by the Encarta World English Dictionary, is the natural ability to do something well.

By all definitions, talent is inherent, it cannot be learned, taught, bought, sold, or acquired in any manner what so ever. Studying with the greatest masters will not create what is not there, reading all the best texts will not cultivate what can not be grown, a person either has it already or they never will. [...]

www.artofbonsai.orgAutor: Will Heath.

Tradução livre:

Talento
Substantivo
Definição:
1. Habilidade natural: Uma habilidade natural incomum, para fazer algo bem, especialmente em áreas artísticas que podem ser desenvolvidas com treinamento
2. Alguém com uma habilidade excepcional: uma pessoa ou pessoas com habilidades excepcionais – Dicionário Inglês Mundial Encarta

Ah talento, a habilidade natural de fazer algo bem. A única coisa que separa artistas de artesãos, e é o denominador comum de todos os grandes bonsai. Com ele, uma pessoa pode criar artísticos, lindo e inspiradores bonsai, sem ele, uma pessoa só criará simples árvores envasadas.

Talento é o fator definitivo que separa um bonsai normal de uma verdadeira e inspiradora peça de arte. Talento é o ingrediente que faz algumas dos melhores bonsai. A falta de talento é porque alguns bonsai são apenas medíocres no máximo, nada mais do que uma imitação pálida do que um bonsai é verdadeiramente feito para ser.

Chame de talento, dom, aptidão, faro, empenho, destreza, ou genialidade. O núcleo, como definido pelo Dicionário Inglês Mundial Encarta, é a habilidade natural de fazer algo bem.

Em todas as difinições, talento é inerente, ele não pode ser aprendido, ensinado, comprado, vendido ou adquirido de qualquer maneira existente. Estudando com os grandes Mestres não vai criar o que não está lá, lendo os melhores textos não vai cultivar o que não pode crescer, uma pessoa ou já nasce com ele, ou nunca o terá. [...]

É um assunto bem polêmico, como vocês podem ver, mas eu concordo em parte com o autor. Talento é algo abstrato, e que pouquíssimas pessoas possuem, principalmente no universo do bonsai. Mas calma, antes que vocês pensem que, sem talento vocês não podem fazer um bonsai, vamos esclarecer algumas coisas:

Nem todos os pintores são Picasso

E isso é um fato, existem diversas outras obras de arte, quadros bonitos, bem feitos e valiosos que não foram feitos por mestres da pintura. No bonsai acontece a mesma coisa, tendo cuidado, dedicação e um pouco de esforço, você pode usar as regras do bonsai a seu favor, criando lindos trabalhos… Claro que sempre alguém vai dizer “Ahh, mas aquele outro lá, aquilo sim é uma obra de arte“, e eu te pergunto: “E daí? Isso importa? Você faz um bonsai para você ou para exibi-lo para outras pessoas?“. A arte do bonsai não foi desenvolvida para aumentar sua vaidade e sim para estreitar seus laços com a natureza.

Eu parto do princípio de que todos têm um talento escondido, é só uma questão de encontrá-lo e moldá-lo. De repente, ao invés de bonsaísta a pessoa pode acabar descobrindo que tem talento para trabalhar com cerâmica, ou com Suisekis.

Tudo depende do objetivo da pessoa no bonsai… Se ela pratica para o seu prazer pessoal, então esse tal “talento” não é tão necessário, basta que ela crie algo agradável para ela mesmo, algo que lhe transmita paz e a sensação de um trabalho “finalizado“.

É como o Will Heath disse nesse artigo: “A talented person, although knowing the rules, is not bound by them. A talented person knows the techniques, but is not bound by them. These things were training wheels, meant to start of the artist on a strong foundation, to give the artist good roots. These training wheels will only slow a person down, inhibit creativity if left on, they must be discarded eventually.

Tradução: Uma pessoa talentosa, mesmo conhecendo as regras, não está presa às mesmas. Uma pessoa talentosa mesmo sabendo as técnicas, não está presa à elas. Essas coisas foram rodas de treinamento (essa é a tradução literal, mas eu traduziria como guias de treinamento), feitas para dar ao artista uma fundação forte (no sentido de obra, como um prédio ter boas fundações, bases ou sustentações), para dar ao artista, boas raízes. Essas guias de treinamento só vão desacelerar a pessoa, inibir a criatividade se permanecerem ativas, eventualmente elas devem ser descartadas.

E eu acrescento… Depois de um tempo, essas técnicas e regras passam a ser muletas, onde as pessoas se apoiam e não conseguem imaginar como outros conseguem andar sem as mesmas, e em alguns casos as pessoas usam essas muletas para bater em outras também, mas essa é outra história, é um papo para outro post.

Meu conselho a todos que estão começando nessa arte é, que não se preocupem em descobrir se vocês têm esse talento ou não… Desenhem bastante, tentem imaginar onde você quer que o seu bonsai chegue, leia sobre as regras, aprenda os estilos e nunca se esqueça do principal: Entenda as necessidades do seu bonsai, leia sobre a sua espécie, sobre doenças, cuidados… Não tenha pressa em fazer uma Jabuticabeira no estilo Fukinagashi, por exemplo. Leia, veja, aprenda e pratique bastante, sem medo de errar, sem pressa de finalizar um trabalho. Lembre-se que um bonsai é uma arte em constante modificação e que os grandes Mestres também já perderam muitas plantas.

Faça o seu bonsai apenas para você, sem se preocupar em ficar exibindo-o para os outros, com o tempo você vai perceber que essa é a forma mais recompensadora da arte.

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Explicações

Amigos,

Peço desculpas pela falta de atualização, mas é que como eu já disse, ainda não sou bonsaísta 100% do tempo, então meu trabalho (e os freelances) consomem boa parte do meu tempo, e por isso não estou tendo tempo para atualizar o site. Acredito que nesse final de semana eu consiga acertar tudo que está atrasado, e voltarei a postar aqui com a mesma freqüência de antes.

Enquanto isso, deixo aqui um link para servir de inspiração para vocês: Galeria de Salvatore Liporace. (ele já passou por aqui, lembram?)

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Reestilizando um Ulmus

Aqui está o vídeo explicando o que foi feito no Ulmus parvifolia do último post. Uma proposta arriscada, mudando completamente a estrutura da planta, bem como o direcionamento da seiva, remoção de grande parte das raízes e um novo substrato.

Trabalho em conjunto é isso, troca de idéias, definição do projeto e mão na massa, os três trabalharam na planta, cada um fazendo uma parte. O resultado final ficou muito bom, e com o passar do tempo postarei a evolução deste exemplar por aqui.

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Salvatore Liporace

Salvatore Liporace veio ao Brasil, para ministrar 1 semana de curso em Minas Gerais, com o Rock Junior… O curso começou no sábado (06/09/2008), então ele aproveitou pra ficar no Rio um pouco antes de ir, já que tem amigos por aqui… Avisou que passaria na Chácara Tropical e eu não podia perder essa oportunidade, né? Conhecer “El Maestro” é uma chance e tanto…

Muitas conversas, churrasco e sugestões de trabalhos em plantas… Mudanças em projetos que o Roberto estava executando, mas tudo sempre como sugestão, jamais impondo sua vontade…

Diferente do Hidaka, ele é mais aberto, mais “brincalhão“, rindo o tempo inteiro, afinal são culturas diferentes, né? Mas uma coisa os dois tem em comum… Aquela energia que os Mestres possuem… Ele não ficou em momento algum se gabando ou desprezando questionamentos que qualquer outra pessoa julgaria como básicos, sempre com paciência e didática, explicando o porque de tal sugestão…

Todos os bonsai que ele me mostrou em seu HD portátil, transmitiam alguma sensação, tragédia, sobrevivência, luta… E ele disse isso várias vez lá, “O bonsai não tem que ser só velho, tem que ter história, sentimento“, e tudo isso tem que ser passado para quem está vendo o trabalho finalizado, independente de ser bonsaísta ou não…

Seu ajudante, Lino Pepe (www.bonsaiclublorraine.fr) também é muito gente boa, disse que já é a quarta vez que vem ao Brasil e que gosta muito daqui, principalmente porque as plantas nunca param de crescer por aqui, diferente da França ou Itália, onde as plantas entram em dormência… Assim como o Maestro Liporace, Lino possui uma visão fantástica também, apesar de ser mais calado.

Enfim, aproveitei ao máximo essa proximidade com artistas desse nível e fiquei animado para participar de cursos que ele venha a ministrar aqui no Brasil.

Mas chega de papo e vamos às fotos, espero que gostem! Todas as fotos podem ser vistas no álbum que criei no FlickR: Salvatore Liporace.

Lino Pepe, Vinicius Costa (eu), Salvatore Liporace e Roberto Gerpe

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Calliandra

Amigos, depois de uma aula com o Roberto Gerpe, vamos dar uma pequena pausa para que eu possa mostrar um pouco do que venho fazendo com minhas plantas.

Essa aqui é uma Calliandra pequena, bem pequena mesmo, aproximadamente 10cm de altura (sem contar o vaso). Quando a peguei, boa parte do tronco estava apodrecendo, então comecei o trabalho com a microretífica e depois de alguns dias apliquei Lime Sulphur (ou calda sulfocáustica).

O resultado atual é este, já a coloquei nesse novo vaso e agora é só esperar ela se adaptar, pra começar a aramação.

Preciso ainda trabalhar mais as pontas de madeira morta (jin/shari), afinando-as, para dar mais suavidade ao conjunto, talvez remova mais um pouco de madeira com a microretífica, ainda estou pensando, é complicado ir muito fundo, pois você pode acabar matando a planta. Neste caso, ela até aguenta, tem bastante madeira morta pra remover ainda, mas prefiro esperar mais um pouco. Prometo refazer essa foto durante o dia, para que vocês possam vê-la com toda sua folhagem.

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Por que bonsai?

Sempre que alguém aparece na minha casa, logo diz “Nossa!! Que lindas suas plantinhas! É difícil fazer isso?” Eu apenas sorrio e digo que difícil é conseguir parar de fazer.

O bonsai é um hobby relaxante e empolgante ao mesmo tempo. Digo empolgante porque no início, quando estamos descobrindo as espécies e tudo mais, queremos todas as plantas… Grandes, médias, pequenas, minis, não importa, o que importa é aumentar o acervo e conhecer o nome científico de cada planta, suas particularidades e cuidados necessários, tem gente que chega a marcar quantas horas uma determinada planta está recebendo de sol, por dia. Uma euforia só, e nessa fase acumulamos muitas plantas sem futuro, com desenhos errados, ou com crescimento lento demais.

Depois chega a fase da procura pelo equilíbrio, você começa a tentar se dedicar a algumas espécies das quais gostou mais, tenta se desfazer das outras e busca aprimorar suas técnicas, mas as recaídas ainda acontecem, mesmo porque você ainda está aprendendo…

O equilíbrio só chega quando a maioria de suas plantas está encaminhada, você olha para seu acervo e sorri com orgulho, sabendo que agora você já pode pegar outras plantas, mas sem aquele ritmo acelerado, e trabalhá-las com mais calma.

Quando você atingir o equilíbrio, pode ter certeza de que o bonsai já te modelou, tanto quanto você o fez. É uma troca mútua, uma relação que só bonsai e bonsaísta conseguem perceber. Muitas pessoas acham que é só regar uma plantinha, que é só cuidar e acabou… Mas não é bem assim, quem cultiva bonsai de verdade possui outra visão de mundo, sabe que a cada rega, cada poda, ele está fortalecendo seu vínculo com aquele ser vivo, afinal a planta tem vida também.

Querendo ou não, existe o “lado zen“, que te relaxa quando você contempla suas criações, que te dá mais calma e paciência para lidar com as situações do dia-a-dia. Com o tempo você vai deixando de ter aquela vida agitada, bem comum nos grandes centros urbanos, e vai percebendo que tudo tem seu tempo, e que um passo dado em uma determinada direção hoje, por mais que pareça errado no momento, em um futuro te colocará no caminho certo. A correria ainda vai existir, mas você passa a lidar com as situações com mais calma.

É curioso, pois quando comecei a cultivar bonsai, nunca pensei que “simples plantas” pudessem causar tamanha transformação, talvez nem com todo mundo isso funcione, mas comigo funcionou e a cada dia que passa eu gosto mais de estar envolvido neste novo mundo, participando de eventos, palestras, exposições, sempre fotografando tudo e compartilhando meu aprendizado com vocês.

Particularmente, eu espero causar pequenas mudanças em vocês também, seja com o despertar da vontade de cultivar bonsai, ou seja apenas ampliando seus horizontes, inserindo um pouco de natureza em suas vidas. Espero que estejam gostando do que eu publico por aqui, e se quiserem sugerir algum tema, tirar alguma dúvida… A caixa de comentários está sempre aberta, e o formulário de contato também.

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Gerpe analisa a planta

Floresta, por Roberto Gerpe

Amigos, a minha demora em fazer um novo post é justificável, estava preparando a seqüência de fotos do último trabalho do Mestre Roberto Gerpe.

Antes de publicar o trabalho aqui, uma breve biografia deste artista:

Roberto Gerpe, possui mais 20 anos de dedicação a pratica do bonsai, e é considerado um dos bonsaístas com umas das melhores bagagens técnica e cultural, do Brasil, com relação a arte.

Formado em engenharia química, Roberto sempre preferiu o lado das artes. Seu inicio no bonsai foi com Namizo Nakamura de Friburgo no RJ. Iniciou então, a sua coleção de bonsai, fez vários cursos na Alemanha com Horst Krekeler, por mais ou menos 8 anos, incluindo workshops com grandes mestres como Marc Noelanders e Udo Fisher. De volta ao Brasil conheceu o Mestre Hidaka, e até hoje o tem como mestre.

Na Califórnia estudou com Ernie Kuo por três anos e com John Naka por dois anos. Trabalhou também com Hary Hirao, Msaru Ishi, e fez workshops com Ken Myata.

Na Florida fez parte da Shofu Bonsai of Sarasota e participou de vários workshops. Fez demonstrações para South West Bonsai Association of Florida, Tampa Bonsai association, Fort Myers Bonsai Association etc.

* Texto adaptado do Clube do Bonsai de Ribeirão Preto

Esse último trabalho do Roberto, foi inspirado no famoso “Goshin” de John Naka, seu antigo mestre (já falecido), porém ainda está sem nome, fica então o espaço aberto para sugestões (o próprio Roberto falou que está aceitando sugestões), quem quiser sugerir um nome, pode deixar a idéia nos comentários que eu mesmo me encarrego de repassar ao Gerpe.

UPDATE: Como o próprio Roberto disse, no comentário deixado neste post, o nome desta flores é SHIBUI, que significa, a representação de um objeto artístico, no caso esta floresta, sem extravagância ou ostentação.

Eu já fui, e ainda sou, aluno do Gerpe e gostaria de deixar aqui meus sinceros agradecimentos por ele ter me permitido postar as fotos para vocês. Antes que eu me esqueça também, quase todas as fotos foram feitas pelo Zuma, bonsaísta de mão cheia também e que também pode ser encontrado na Chácara Tropical.

Chega de papo, e vamos às fotos, e se preparem, porque são MUITAS fotos. Como sempre, criei um álbum no FlickR para quem quiser ver todas as fotos, na seqüência exata (Floresta, por Roberto Gerpe).

Gerpe analisa a planta

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Trabalho com Leucena

Amigos, hoje resolvi colocar por aqui um trabalho realizado com o bonsaísta Claudio José Teixeira. Ele possuía em sua casa, uma Leucena com mais de 5 metros de altura, a planta já havia estourado o vaso de plástico em que estava plantada, e suas raízes perfuraram o concreto como se fosse terra comum.

A Leucena é uma das árvores de crescimento mais acelerado que já vi até hoje, plantando através de semente, em uma questão de meses você consegue ter um bom exemplar para bonsai, sem contar a resistência da espécie, que sobrevive com o mínimo de terra (substrato) possível, muitas vezes apenas com umidade constante perto de suas raízes.

O Claudio é o único bonsaísta que conheço, que trabalha com essa espécie, quero dizer, ERA o único, pois depois de conhecê-la eu também peguei alguns exemplares para praticar um pouco.

Mas chega de papo, vamos às fotos, com algumas explicações antes:

Primeiro, foi necessário o uso de uma microretífica para serrar o tronco da Leucena, que é muito duro. O uso de uma ferramenta elétrica não deve ser feito a menos que você já possua alguma experiência no assunto, já que qualquer erro pode causar sérios danos (dependendo da ponteira utilizada, até corte de membros podem ocorrer). Toda a parte de cima da planta foi reaproveitada, estacas foram feitas para que se desenvolvam e ampliem nosso acervo desta espécie. Caso tenham alguma dúvida, não deixem de perguntar, basta deixar um comentário que assim que puder, responderei.

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