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Floração

Antes de falar sobre o 1º dia de Workshop com Carlos Tramujas, gostaria de compartilhar com vocês a floração desta Calliandra que faz parte do acervo da Tropical Bonsai.

A floração desta espécie, e particularmente deste exemplar, é sempre algo que merece ser registrado e compartilhado, muito bonita não? O segredo dessa floração é basicamente uma boa adubação orgânica e muito sol, muito sol mesmo, durante o dia inteiro.

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Um sonho

Eu tenho um sonho. Que a arte do Bonsai seja difundida por todo o país, que os mitos caiam e que nossos artistas sejam reconhecidos a nível mundial. Utopia? Talvez, talvez… Mas se não conseguirmos alcançar esse nível, podemos pelo menos chegar perto o suficiente para que os próximos bonsaístas consigam continuar o caminho, certo? Mas por que estou falando isso por aqui?

Somos um país um tanto quanto complicado, isso já é de conhecimento geral e não preciso ficar explicando por aqui. Temos o incansável hábito de desvalorizar o que não compreendemos e/ou não conseguimos fazer, então quando vemos alguém fazendo malabarismo com 5 ou 6 bolas, não hesitamos em dizer: “Ahh, é só ficar jogando bolinha pro ar?“, ou quando vemos alguém podando um bonsai falamos: “Mas é só isso? Só cortar com essa tesourinha? Por que custa tão caro então?“, sem perceber que ao falarmos assim, estamos desconsiderando todos os anos de estudo e prática que levaram aquele bonsaísta a saber cortar aquele determinado galho.

É a mesma história, em qualquer profissão: Quem está pagando sempre questiona o porque daquele valor, por achar que está sempre levando desvantagem na relação. Não posso generalizar esse comportamento a nível mundial, mas creio que não seja uma particularidade brasileira, as pessoas não entendem que não basta saber apertar um parafuso, é preciso saber QUAL parafuso apertar.

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Ficus

O Ficus é uma das espécies mais versáteis que existem, suportando podas drásticas, aramação, enxertia e diversos outros procedimentos sem maiores problemas. Sua facilidade em se recuperar de desfolhas e sua incrível resistência fazem dessa espécie uma das mais indicadas para quem quer iniciar na arte do bonsai.

Reparem que muitas vezes encontramos Ficus crescendo nas frestas de paredes, em calçadas quebradas, enfim em lugares onde a planta tem dificuldade em conseguir nutrientes, mas mesmo assim o Ficus consegue sobreviver, se desenvolver e crescer. Dentre as inúmeras variações de Ficus, as mais conhecidas e usadas no Brasil são o retusa, benjamina e nerifolia, existem diferenças básicas entre essas três variações (principalmente no formato das folhas), abaixo estão as fotos de um nerifolia, um benjamina (do amigo André Dahmer) e um (ou melhor, 3) retusa(s), respectivamente.

Agora algumas curiosidade sobre o Ficus, ou figueira:

  • O Ficus religiosa é a árvore onde Buda teve sua revelação religiosa;
  • O Ficus carica (que produz frutos comestíveis) é a primeira planta a ser descrita na Bíblia, pois foi com suas folhas que Adão se “vestiu” ao notar que estava nu;
  • A tão conhecida Hera, esta trepadeira que muitas pessoas usam para cobrir muros, é uma espécie de Ficus, mais precisamente o Ficus pumila.
  • Para os seguidores de Maomé, o figo também é sagrado, pois Maomé jurou por ele e pela oliva, na sura 95 do Corão, designada por “O Figo”.
  • O figo é considerado um fruto sagrado para os judeus. Ele faz parte dos sete alimentos que crescem na Terra Prometida, segundo a Torá (Deut. 8), o Antigo Testamento dos cristãos.
  • No Egito antigo o figo era o alimento usado para a engorda do ganso para a produção do foie gras (o fígado de ganso gordo) o que, provavelmente, deu origem ao nome da iguaria (foie, figo; gras, gordo).
  • Os  maias e os astecas utilizavam a casca de figueiras nativas da região para produzir o papel utilizado nos seus livros sagrados.
fonte: Wikipedia

Curioso, não? Em diversas religiões diferentes, em continentes diferentes, o Ficus possui similaridades em seu papel na história da Humanidade. Sem dúvida alguma, é uma espécie obrigatória no acervo de qualquer bonsaísta que deseja levar seu hobby a sério.

E vocês? Conhecem mais alguma curiosidade sobre o Ficus?

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Tropical Bonsai

Já postei aqui antes sobre uma visita à Tropical Bonsai, loja especializada em bonsai aqui no Rio de Janeiro que faz parte da Chácara Tropical. Pra mim, é a melhor loja daqui do Rio de Janeiro mas nesse caso sou suspeito para falar pois a cada visita eu fico mais impressionado com o acervo deles.

Por exemplo, agora no verão é a época certa de desfolha dos Acers, e na minha última visita pude fazer essas fotos abaixo:

Clique no link abaixo para ler mais sobre a Tropical Bonsai.

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Alexandre Chow

Depois de visitar o Adalmir, fomos junto com ele à casa de Alexandre Chow onde tive a oportunidade de ver como realmente devemos valorizar as plantas nativas de nosso país. Pithecolobium (ou Pithecellobium) tortum, Calliandras, Jabuticabeiras etc. Tudo na mão do Chow se torna uma escultura, aliás, se lembram de um bonsai trabalhado no encontro da Sociedade Brasileira de Bonsai, no dia 14/06/2008?

Pois é, logo ao chegar já pude ver como esta Calliandra está atualmente:

Impressionante não? 6 meses de recuperação basicamente, e ela já sofreu várias outras intervenções (podas, transplante) nesse período. Chow é um bonsaísta das antigas que está começando a refazer seu acervo agora, e está voltando com tudo.

Infelizmente a visita foi bem rápida, porém foi de grande valia e como sempre aprendemos muito. Chow é uma pessoa extremamente simples e disposta a compartilhar conhecimento, gostei muito de ver o entrosamento entre ele e o Adalmir, é ótimo ver que pessoas com ideais parecidos podem se unir em prol da arte e fazer o trabalho andar, sozinho você até consegue se desenvolver, mas quando existe uma troca de conhecimento tudo flui muito melhor. Chow tem planos de expandir seu espaço e realizar encontros periódicos lá em Petrópolis, tomara que esse dia chegue logo pois será mais um ponto de encontro pro pessoal do Rio e eu sou presença confirmada desde já!

Quem quiser fazer uma visita ao Chow, basta ligar para (0 XX 24) 22470017 e marcar um dia, o endereço é Rua Indaiá, 961 (bairro de São Sebastião) – Petrópolis – Rio de Janeiro (clique no endereço para visualizá-lo pelo Google Maps). Se você mora no Rio de Janeiro e pratica bonsai, este é um dos lugares que precisa visitar, tudo muito bem organizado separado por espécies, sem contar o clima de Petrópolis que é muito agradável.

Chega de papo, né? Vamos às fotos, lembrando que se quiser ver todas as fotos, basta acessar o álbum Bonsai Chow, que criei no FlickR.

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Adalmir Rampini

Neste último final de semana estive em Petrópolis, visitando dois amigos, Adalmir Rampini e Alexandre Chow. Era uma visita que já estava para ser feita há tempos, porém o tempo (ou a falta dele) sempre nos atrapalhava, então aproveitando que meu irmão estava no Rio, pegamos nosso primo e subimos a serra.

A característica mais marcante em ambos é a hospitalidade. Adalmir nos recebeu em sua casa de portas abertas, nos mostrando seus projetos e explicando cada intervenção, inclusive o que tinha sido feito por ele e o que era obra de outra pessoa. Vocês podem achar que isso não é importante, porém eu digo que é sim. Honestidade é um conceito que muitas vezes é esquecido e algumas pessoas gostam de se apropriar do trabalho alheio sem dar o devido reconhecimento, ora, o fato de não ter sido você que realizou a primeira intervenção na planta, não vai desqualificar todo o seu trabalho, muito pelo contrário… Ao dar continuidade a um trabalho você está demonstrando que tem capacidade de interpretar a intenção daquela primeira pessoa e continuar a estilização, ou até mesmo mudar tudo. O respeito ao trabalho de outros é algo primordial no bonsai, e nesse quesito Adalmir Rampini não peca em nada! Vamos às fotos?

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Bonsai Mizuno

Não se pode falar de bonsai no Brasil sem mencionar os Mizuno. Pense em tradição e dedicação, e você verá que essas palavras fazem parte dessa família desde antes de chegarem ao Brasil. Abaixo reproduzo um pouco da história desta família, história esta que pode ser lida na íntegra no site Bonsai Mizuno.

O Bonsai está presente na família Mizuno há três gerações.

No início do século XX, Shoji Mizuno cultivava bonsai de Azaléias Satsuki como hobby na pequena vila de Tsumagi, interior da província de Gifu.

Naquela época, a prática do bonsai estava começando a se popularizar, sobretudo entre as classes de maior poder aquisitivo.

Nas horas de lazer com suas plantas, Shoji era freqüentemente acompanhado de seu filho Jiro, que desde muito cedo demonstrava interesse pela natureza, em especial pelas plantas.

Após a Guerra, o espírito aventureiro de Jiro o trouxe ao Brasil, onde logo conseguiu emprego como técnico em cerâmica. Em contato com outras pessoas da colônia, Jiro podia compartilhar seu gosto pelas plantas e pela natureza.

Na década de 60, já com sua própria oficina de cerâmica em Santo André (SP) Jiro e vários amigos fundaram o Paulista Cactus Clube, destinado ao intercâmbio entre colecionadores de Cactos.

Influenciado pela memória de seu pai e o incentivo de amigos, como os senhores Kodama, Iwasaki e Kokiso, o interesse de Jiro logo se voltou para os Bonsai. Com a diversidade de interesses aumentando, o clube, agora Associação do Verde, passou a realizar grandes exposições no ABC paulista (região que reúne Sto. André, S. Bernardo e S. Caetano), abrangendo desde samambaias, cactos e flores até bonsai e ikebana.

Como no Brasil não se encontravam bons vasos de cerâmica para bonsai, Jiro desenvolveu uma linha de vasos, que ainda hoje são fabricados pela Bonsai Mizuno.

Em 1973, visitando sua família no Japão, Jiro teve a oportunidade de estudar o cultivo de mini bonsai (mame) com o grande mestre Toshihiro Miyokan. A partir de 1980, Jiro sentiu necessidade de transmitir seus conhecimentos e experiência e começou a ministrar aulas gratuitas para amigos, como Luiz Carlos Martinho da Silva (Caíto), Luís Nakamura e Carlos Tramujas[...]

Trecho retirado do site Bonsai Mizuno

Já falei algumas vezes aqui sobre o futuro da arte, e sobre o que anda acontecendo também, porém antes de olharmos para o futuro, é essencial compreendermos como tudo começou, afinal, um país sem história é um país sem futuro. E como eu disse no início do post, não existe como falar da história do bonsai no Brasil, sem mencionar a família Mizuno, neste post veremos algumas fotos que o nosso repórter interestadual, Diogo Costa (meu irmão, que está morando em São Paulo), que esteve com a família Mizuno na última semana fez. Todas as fotos estão disponíveis no Álbum Bonsai Mizuno, no FlickR do Projeto Bonsai, espero que gostem.

DIogo conta que foi muito bem recebido por D. Junca Mizuno e que passou ótimas horas passeando pelo vieveiro, gostou tanto da visita, que acabou voltando e fazendo um curso com eles e já disse que voltará lá outras vezes pois um dia não foi o suficiente para absorver todo o conhecimento que a família oferece. Fica a dica para quem mora em São Paulo e não conhece lugares para se aprender a cultivar bonsai.

Áceres, Azaléias, Buxinhos, Pinheiros… A família Mizuno também é responsável por algumas plantas do Mestre Hidaka, e além de tudo isso ainda fabricam seus próprios vasos, bem resistentes e muito bonitos. Tanto as plantas, quanto os vasos, ferramentas e outros utensílios, podem ser encontrados no próprio site da família (Bonsai Mizuno). Mas chega de conversa e vamos às fotos.

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A Visão

Pegue um planta bruta, sem nenhum tipo de trabalho ou condução. Como transformá-la em um bonsai? Basta aramar os galhos para baixo e podá-la? É só plantá-la em um vaso raso (ou bandeja)?

Sabemos que nada é tão simples assim. Claro que os monges chineses não ficavam pensando em regras quando faziam os seus, há mais de mil anos atrás, mas toda atividade sofre evoluções com o passar do tempo, ainda mais quando o ser humano está envolvido (já que temos a maravilhosa habilidade de “complicar” o que é simples), e no bonsai surgiram as regras. Em sua maioria, definidas pelos japoneses com o intuito de organizar um pouco as coisas, mas nunca com a intenção de desprezar determinado trabalho de determinado bonsaísta. As regras servem como alicerce para quem está começando, para entender o que pode ser feito para que a planta chegue onde você quer, sem danificá-la.

Eu considero as regras como um caminho trilhado, por onde é seguro passar, mas como eu disse no post sobre Talento, em um determinado ponto do caminho, as regras deixam de ser educadoras e passam a ser limitadoras. Mas não é exatemente sobre as regras que eu quero falar, afinal, ler um livro e decorar regras é fácil, não? Mas e como aplicá-las?

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