Repararam que reduzi drasticamente a postagem de textos “técnicos” aqui? Existem motivos para isso, e tudo começou depois que li o livro do Michael Hagedorn.
1º motivo: As técnicas estão quase todas aí nos arquivos passados do blog, não vejo necessidade em ficar repetindo o assunto, basta ler e praticar.
2º motivo: Filosofar é preciso, podar não é preciso. Cheguei a conclusão de que o ensino de bonsai aqui no Brasil é um pouco apressado demais. As pessoas aprendem a podar e aramar, sem antes saber sequer de onde veio aquela planta, sua história. Não aprendem sobre a filosofia, e muitas vezes nem sobre a história da arte em si.
Todos querem aprender os estilos, como podar raízes, tipos de vaso… Mas pra que você está estudando a arte? No que o bonsai influencia sua vida de uma forma geral? Te torna mais paciente? Mais calmo? Bonsai nunca vai se tratar de ter o melhor exemplar de sua cidade, estado ou país… Contar vantagem que sua coleção é melhor do que a de outra pessoa, ou que você pratica a arte há mais tempo, só demonstra que você não pratica a arte. Você poda plantas, aduba, envasa, mas não faz bonsai.
3º motivo: Bonsai é uma arte pacífica, o objetivo primordial dela é a contemplação e não uma espécie de “corrida armamentista” onde o seu exemplar TEM que ser melhor que o de outra pessoa.
É preciso deixar o bonsai entrar na sua vida, praticar a arte de coração aberto, de mente aberta. É preciso PRATICAR o bonsai. Você pratica a arte? Então me diga… Quais mudanças o bonsai provocou em sua vida?
Desonestidade, desleadade, falsidade, ganância… Essas características não combinam com o bonsai. Que tal nos tornarmos pessoas um pouco melhores através do bonsai?
A proposta desse texto não é definir ou impor nada, são apenas questionamentos que eu acho que todos deveriam ter.
Muito bom o texto, essa semana dando uma lida no livro do ROCK me deparei commuma citação muito oportuna:
”O cultivador é médico, pintor, arquiteto, escultor e pai ao mesmo tempo. Você tem de conviver com a planta e proporcionar a ela tudo o que necessita nas quatro estações. Em troca, quando o homem entra em dialogo com o bonsai atinge um estágio superior, um vazio positivo, é mais do que uma terapia, é uma relação de amizade” (Tomio Yamada)
Concordo em gênero, número e grau.
Interessantíssimo texto, profundo, abrangente…
No Brasil, tudo tende ao status – um bom carro, uma boa casa, boas roupas e bons lugares a se frequentar – assim como um bom hobby, e por que não o bonsai?! Algo sofisticado e tradicional?!
O que muito vejo nesse meio virtual são sempre louros para alguns nomes, às vezes até merecidos, mas com uma certa exacerbação de glória e da capacidade de estilizar as árvores vindo das plateias que os veneram. Em linhas gerais, um fechado grupo de ídolos e fãs…rsrs…
Enquanto isso, nós, meros e anônimos iniciantes ficamos aqui, tentando a todo custo aprender por nós mesmos com nossos erros, estudando a filosofia oriental, buscando compreender o todo que emgloba essa cultura, aprendendo sobre a fisiologia de cada planta para atender suas necessidades básicas, para quem sabe algum dia podermos nos considerar bonsaístas e não, apenas, modeladores de plantas ou entusiastas de grandes artistas…
TENHO DOIS BONSAI JACARÉS E UM CEDRO!
OS DOIS PRIMEIROS SÃO MAIS FÁCEIS DE LIDAR O CEDRO PREFERE O AR LIVRE ,GOSTA DA SACADA DO APARTAMENTO E ‘A NOITE DO SERENO!TODOS COM QUATRO ANOS!
EMBREVE MANDO AS FOTOS!
Esse post veio em boa hora. Estava pensando nisso, na competição que muitos fazem com suas plantas. Eu já havia dito que não me considero um bonsaista de fato devido a pouca experiência, me considero alguém que possui plantas nas quais as observo a cada intervenção para poder entender como se comporta para fazê-la evoluir da melhor maneira possível. Enfim, o bonsai realmente me deixa em paz até porque o lugar que mais gosto de ficar é aqui no jardim da minha casa, observando, contemplando.
Meu amigo seu blog é espetacular, show, not°10 desejo muito sucesso em sua caminhada e objetivo no seu Hiper blog e que DEUS ilumine seus caminhos e da sua família
Um grande abraço e tudo de bom
Ass:Rodrigo Rocha
Olá Vinícius,
Muito Obrigado pela referência do livro/Autor, desconhecia por completo,
…mas para mim, Bonsai é isso ai, sem tirar nem por! “A Planta e Eu”.
O que interessa mesmo é o “caminho” que nos faz chegar até lá e não o ultrapassar da meta propriamente dito…e a todo e qualquer custo!
Agora também não deixa de ser verdade que a/uma “boa” escolha de um exemplar logo nos primeiros momentos torna o caminho bem mais agradável!
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Para quem deseja dedicar-se de forma profissional, andar em workshops e de exposições em exposições, obviamente com a necessidade de se fazer notar e aferir alguma credibilidade no meio, não se pode dar ao luxo de investir uma dezena ou mais de anos em exemplares que podem nunca vir dar em nada, e ao ser bem sucedido só seria reconhecido nessa altura…
Porque de certa forma todos crêem em que isso é possível, uns estudam e outros refugiam-se na desinformação dando lugar à luta tremenda de pular etapas a que assistimos diariamente…optando pelo fácil!
Obrigado e tudo de bom.
Castro
Não é que me deparei exatamente nesta situação… Parei, pensei, refleti….E finalmente me perguntei: Porque estou fazendo isso? Que benefícios esta me trazendo? As resposta que obtive tem tudo a ver com seu texto. Não importa o tipo de planta que tenho e se vai chegar a algum lugar ou não. O que realmente importa é a relação que tenho com ela e a satisfação de acompanhar seu crescimento, cheirar suas flores e até mesmo comer seus frutos. Foi eu que produzi! Parabéns pelo texto, Há se todos entendessem as suas palavras….
Vinicus
Bonsai pra mim é uma arte viva, sempre mudando suas formas, transformando minha vida fazendo-me mais paciente e observador, ficando horas em frente aos meus filhos(bonsai) e vendo como são belos e magnificos, cheios de vida e vigor, não é apenas podar e aramar, mas levar dias, meses e anos antes de cortar um galho, meditar em como o Bonsai mudou minha vida é inexplicável.
Ao invés de plantar bonsai eu planto verdura. Alimento a mim e aos outros. Quando dôo, alimento a alma. E as plantas são livres, sem arames e crescem para onde querem. Ou precisam. Aliás, sem eu fazer nada, Alguém cuida delas…