Archive | julho, 2009

Bahia Bonsai 2009

Bahia Bonsai 2009

Esse é o próximo evento que vai acontecer no Brasil. Organizado por Glauco Bastos e o pessoal do Bahia Bonsai Club, o evento vai ser um sucesso e ninguém pode duvidar disso, afinal com nomes como Rock Júnior e Sergivaldo Costa não tinha como ser diferente, né?

Abaixo você pode conferir a programação do evento, caso tenham mais alguma dúvida é só entrar em contato com o próprio Glauco Bastos no e-mail galucobastos@gmail.com :

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Proporção e dedicação

Como faço pra engrossar o tronco do meu bonsai?“, se você fizer uma rápida busca em fóruns, blogs e no Orkut, verá que essa é a pergunta que aparece com maior freqüência na internet. E não só na internet, todos os iniciantes na arte querem saber apenas essa resposta, como se um tronco grosso fosse garantia de que seu bonsai vai ficar bonito ou vencer algum concurso.

Não é uma questão de ser grosso ou fino, de ter 50 ou 10cm de base, é uma questão de proporção! O tamanho e a espessura de seu bonsai estão diretamente ligados à conicidade do mesmo e a parte técnica disso você pode aprender nesse ótimo post do Rock Jr. Mas você pode ter um bonsai com 2cm de base, desde que a altura dele seja proporcional à isso.

Tenho observado há um bom tempo, essa corrida desesperada por melhorar o material mas ninguém se pergunta o motivo disso. Pra que você quer um bonsai com 40cm de base? Nebari radial, conicidade perfeita… Por que você busca isso?

E por conta dessa corrida, vem a clássica resposta (muitas vezes a resposta é dada pela própria pessoa que fez a pergunta): “Vou colocar num escorredor de macarrão“, como se o escorredor fosse a resposta mágica para o desenvolvimento da planta (eu já fiz um post sobre essa técnica: Bonsai na mamadeira). Faça isso com um Ficus, por exemplo… Em um ano você vai perceber que se ele estivesse em um vaso preto de plástico, cresceria muito mais. Não existem fórmulas mágicas para o crescimento de sua planta, são diversos fatores que influenciam, desde o clima, até o vaso e principalmente o substrato aliado a uma boa adubação, mas acredite: Se você comprou o seu bonsai há 1 mês, e não possui experiência na arte, de nada vai adiantar colocá-lo em um escorredor.

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Oficina de Bonsai

Sergivaldo é um defensor das nativas, isso eu já havia dito quando inauguramos o blog dele aqui no Projeto Bonsai, e agora neste mês de Julho terei o prazer de estar presente novamente em uma oficina de bonsai com este profissional que, na minha opinião, já está entre os grandes nomes da arte no Brasil. Tanto por sua humildade, quanto pela forma de trabalhar e pelo seu carinho com as plantas nativas, em especial os Araçás e Calliandras…

A Oficina acontecerá nos mesmos moldes das anteriores, com dois dias (sábado e domingo) de teoria/prática em um clima agradável e com uma turma limitada a 15 alunos. As inscrições podem ser feitas através do telefone (21) 2493-2580, falando com Edson Freitas (responsável pela Tropical Bonsai).

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O caminho

Não existem atalhos, não existem caminhos fáceis.

Não adiantar tentar saltar, quando você nem aprendeu a andar…

Temos o péssimo hábito de correr para nos tornarmos melhores que alguém, uma corrida sem sentido só para satisfazer nosso ego. Está tudo errado, TUDO errado.

“E onde a sorte há de te levar
Saiba o caminho é o fim, mais que chegar” – Little Joy (Next Time Around)

O aprendizado é que deve ser o nosso combustível, o resultado final não tem que ser o foco, e sim o aprendizado!

Paciência e tranqüilidade sempre devem ser a tônica do nosso caminho, seja lá o que estivermos aprendendo. A noção de que sempre existirá alguém que sabe mais e outros que sabem menos, jamais deve ser esquecida.

A arrogância de se considerar o melhor será sua ruína.

Estou lendo o livro Post-Dated: The schooling of an (ir)reverent bonsai monk, escrito por Michael Hagedorn. É um livro que relata o aprendizado de Michael no Japão, onde se tornou aprendiz de Mr. Shinji Suzuki. Existem diversas curiosidades sobre esse livro, como por exemplo a diferença de idade entre Michael e Mr. Suzuki, 5 anos apenas (Mr. Suzuki é 5 anos mais velho). Pra começar, Michael não chama o seu mestre de mestre, a palavra certa é Oyakata, que vem desde os tempos dos Samurais e significa algo como Lorde E Mestre, é muito mais um conceito do que uma palavra em si. O aprendizado se torna algo como uma relação entre pai e filho, e com conceitos completamente diferentes dos nossos…

Post-Dated

Se são melhores ou piores, vai do entendimento de cada um, porém o respeito e a paciência com a qual eles lidam com bonsai deve ser reverenciada. Tudo é feito com extrema calma e delicadeza, não importando quanto tempo se demora, cada tarefa é encarada como uma lição e eu acredito que é assim que deveria ser.

Um exemplo disso foi quando Michael deixou cair alguma coisa em cima de um bonsai bem valioso, fazendo com que o vaso rachasse. Ele ficou preocupado, pois o vaso custava vários mil dólares, quando Mr. Suzuki entrou no estúdio e viu o vaso, nada falou, causando estranheza em Michael. A lição veio depois… Nas duas semanas seguintes, Michael ficou responsável pela manutenção daquele bonsai, sem trocar o vaso.

Conseguem perceber a sutileza do aprendizado? Ele rachou o vaso, e foi obrigado a encarar seu erro por 2 (duas) semanas! E mais ainda, conseguem perceber o valor dessa lição? Vocês aprenderiam algo caso isso acontecesse com vocês? Considerando nossa educação e cultura, muitos estariam aliviados apenas, já que não teriam que pagar o prejuízo causado.

Em outra ocasião, Tachi (outro aprendiz de Mr. Suzuki) deixou cair um vaso durante um evento, quebrando-o. E Mr. Suzuki o dispensou do trabalho pelo resto do dia. Michael compreendeu mais tarde que aquilo não era um dia de folga para Tachi, já que ele não conseguiria aproveitar o seu “descanso“, passaria o dia inteiro sabendo que havia sido dispensado pelo erro que cometeu e isso era uma vergonha imensa. Como bem disse o amigo Sergivaldo, aqui no Brasil provavelmente teríamos pessoas quebrando vasos de propósito se fosse assim.

O livro não ensina técnicas e nem possui uma galeria com plantas que jamais teremos em mãos, é “apenas” o relato de um aprendizado no Japão, e por “apenas” eu quero dizer TUDO. A empolgação (relatada por Michael) de Mr. Suzuki ao receber uma planta em sua casa, planta esta que ele só conhecia por fotos, é contagiante. A forma como ele descreve a planta, falando sobre seu jin natural dizendo que esse era seu diferencial, e que por conta daquela característica, ela era considerada uma planta da “liga dos campeões” e que jamais poderia ser melhorada, não importa por quem fosse ou que ferramenta de jin utilizasse… Eu sempre busco fazer um paralelo com o que vejo aqui no Brasil, e tenho certeza de que muitos que se julgam mestres por aí não pensariam duas vezes antes de “refinar” o trabalho nesta planta, só para demonstrar alguma coisa e tentar “melhorar” algo que não deveria ser mexido.

E vejam bem, não estou falando sobre as técnicas utilizadas por japoneses, chineses ou vietnamitas. Estou falando da relação entre mestre e aprendiz, entre bonsaísta e bonsai, entre o ser humano e o respeito pela vida, seja esta vida qual for. Lembrem-se disso quando forem transplantar, podar ou aramar seu bonsai que é um ser vivo também.

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Oficina de Bonsai – Luciano Benyakob (Parte II)

Se o primeiro dia já foi bastante prático, imaginem então o 2º dia…

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Oficina de Bonsai – Luciano Benyakob (Parte I)

Luciano Benyakob, é até difícil falar sobre esse camarada. Um dos maiores responsáveis pela divulgação do Bonsai no Brasil, ele divulga a tudo e todos buscando apenas o desenvolvimento da arte, sem qualquer tipo de recompensa ou reconhecimento. Um gigante que se esconde entre os pequenos…

Mas hoje vamos falar sobre a sua Oficina de Bonsai, que foi realizada na Chácara Tropical nos dias 27 e 28 de Junho/2009. Um sucesso absoluto! Como ele mesmo diz, pouca teoria e muita prática… Mas na verdade não foi bem assim, o que aconteceu foi que não houve distinção entre parte teórica e prática, todos os alunos colocaram a “mão na massa” ao mesmo tempo em que ouviam sobre transplante, aramação e outros assuntos.

O ser humano é muito visual, todo aprendizado é muito mais assimilado quando temos figuras ou exemplos ao vivo do que está sendo explicado. Muito melhor do que ouvir falar que devemos cortar uma determinada parte das raízes de uma planta, é ver a tesoura trabalhando, certo?

E foi o que aconteceu… Tesouras em mãos, mãos na terra, desfolha, aramação, transplante… Dois dias extremamente práticos e agradáveis.

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De Atibaia – Parte VI

E que tal este outro exemplar de Pithecellobium tortum? Acho que já disse dezenas de vezes por aqui, que esta é uma das minhas espécies favoritas devido ao seu forte vigor e versatilidade, sendo adaptável aos mais diversos estilos de trabalho.

Com o tempo vamos aprendendo a selecionar melhor o material para trabalharmos, mas não tem jeito, no início investimos em muito material que não vai se desenvolver, damos cabeçadas em paredes insistindo em espécies e materiais que jamais tentaríamos se já tivéssmos alguma experiência. Tudo é aprendizado, tudo mesmo… Todo bonsaísta carrega nas costas o peso de ter matado várias plantas, jovens ou velhas, mudas ou bonsai prontos, todos erramos e é assim que aprendemos.

Ainda tenho um longo caminho pela frente, e através dos posts aqui no blog eu tento mostrar a minha evolução, tanto na parte teórica quanto prática. Um exemplo disso pode ser visto se vocês olharem os meus primeiros posts e as primeiras plantas adquiridas, e depois comparar com esses materiais que trouxe de Atibaia. E não tenho dúvidas de que com o passar dos anos, isso vai ficar ainda mais evidente, pelo menos eu espero, né?

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De Atibaia – Parte V

Mais um pré-bonsai, vindo de Atibaia – SP, dessa vez do viveiro de Regina Suzuki. É um Pithecellobium tortum, uma das minhas espécies preferidas e que não hesitei em trazer quando estive por lá, assim que chegamos no Rio já troquei o vaso para este redondo, feito por Shugo Izumi, que era maior do que o vaso em que ele estava anteriormente, isso ajudou a planta a se recuperar e crescer mais (atualmente está com muito mais folhas do que nesta foto).

Na minha visão, é um material com um grande potencial e aos poucos irei postando sua evolução por aqui.

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