Jardim Botânico – Rio de Janeiro (Parte I)

A natureza sempre deve ser nossa primeira fonte de inspiração quando falamos de bonsai. Há muitas frase célebres de bonsaístas famosos por aí, e até difícil saber quem falou o que primeiro, mas existe uma frase, que gosto muito, é atribuída ao famoso John Yoshio Naka:

Não tente fazer a sua árvore parecer um bonsai, faça com que o seu bonsai pareça uma árvore.

E é isso mesmo, essa simples frase simboliza toda a filosofia da arte. E existe melhor forma de conseguir isso do que observar as árvores in loco?

Estive no Jardim Botânico (daqui do Rio de Janeiro) no dia 20 de Junho/2009, para buscar um pouco mais de inspiração (planejo fazer alguma trilha pequena na Floresta da Tijuca em breve também). Eu já conhecia o Jardim Botânico, mas quando estamos praticando a arte, vemos as árvores de uma outra maneira, mas não somente as árvores e sim todas as plantas, observem esse Jardim Sensorial, por exemplo.

A mistura de cores, texturas e cheiros é muito interessante, uma experiência que os portadores de deficiências visuais podem experimentar em um nível muito superior ao nosso, que não conseguimos isolar nossos sentidos e acabamos por não sofrer uma imersão total no ambiente.

Se eu pudesse, e não tivesse uma vida tão corrida, iria pelo menos uma vez por semana ao Jardim Botânico. A possibilidade de estar dentro de uma cidade e ao mesmo tempo não ouvir o barulho dos carros, o calor infernal da selva de concreto, os celulares tocando o tempo inteiro… Uma fuga dessa nossa rotina enlouquecedora.

Árvores centenárias, verde por todos os lados. A sensação que temos é a de estar não em um jardim, mas em uma floresta antiga, com árvores que possuem mais que 3 vezes a nossa idade (ou mais). Ar puro, paz e tranquilidade, o que mais poderíamos querer?

É isso que devemos buscar quando estamos desenvolvendo nossos bonsai, essa é que deve ser nossa inspiração e não outros bonsai já existentes. Claro, que observar trabalhos de outros artistas é ótimo para que tenhamos uma certa noção do que pode ser feito, mas bonsaístas (mestres ou não) só podem nos ensinar as técnicas, a inspiração e criatividade fica por sua conta.

Caso você possa, tire um dia de sua semana para caminhar em algum jardim ou parque, pratique esse exercício de observação, entre em contato com a natureza e  depois passe tudo isso para os seus trabalhos com bonsai. A recompensa é quase que imediata!

E não importa se a espécie pode ser usada como bonsai ou não, toda a natureza é fonte de inspiração, vejam o Cactário do Jardim Botânico, por exemplo:

Cactus e suculentas podem ser usados como plantas de acento (kusamonos) e também podem ter o crescimento limitado. São espécies fáceis de cuidar pois precisam de pouca atenção e rega, perfeitas para colocar ao lado dos seus bonsai quando estiver colocando-os para exibição (ou até mesmo decoração de sua casa).

A variedade de espécies presentes no Jardim Botânico é realmente impressionante, e todas muito bem identificadas com nomes populares, científicos e local de origem, algumas até com placas dizendo quem plantou aquela árvore, e aí você pode ter uma idéia da idade da planta, muito impressionante mesmo. Infelizmente eu não tive tempo de visitar todo o Jardim Botânico, mas valeu muito esse passeio mesmo que rápido.

No próximo post colocarei mais algumas fotos para que vocês se inspirem tanto quanto eu, espero que gostem.

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2 Responses to “Jardim Botânico – Rio de Janeiro (Parte I)”

  1. Anderson Silva disse:

    O Jardim Botânico é realmente um patrimônio valiosíssimo do Rio. È impressionante quantidade de pessoas que moram no Rio e que nunca pisaram lá, enquanto para muitos turistas estrangeiros o o JB é visita obrigatória!!
    Um outro lugar interessante para observação é o Aterro do Flamengo. Muitos passam por ali e ignoram completamente a beleza do parque, a grande variedade de espécies e formas. Como passo quase que diariamente por ali, sempre me surpreendo com as formas de algumas plantas. Sem dúvida uma excelente fonte de inspiração.

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    Vinicius Costa Reply:

    Aterro, Floresta da Tijuca, Jardim Botânico, Parque Lage… O que não falta no Rio são opções desse tipo, só que infelizmente não prestamos tanta atenção assim… Infelizmente mesmo.

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