A segunda parte da viagem foi no viveiro de Regina Suzuki. Ela esteve no viveiro do Mestre Hidaka e nos levou para conhecermos seu espaço e se eu já estava impressionado com o espaço do Mestre, o choque só aumentou ao ver a organização e qualidade das plantas, caso queira ver direto o álbum de fotos completo, acesse Viveiro – Regina Suzuki.
Pense em uma pessoa simples, envergonhada, simpática e gentil… Regina Suzuki é isso e muito mais. Cativante ao extremo, risonha e apaixonada por seus trabalhos. Possui uma coleção particular, que vem sendo construída há tempos e é composta de trabalhos fantásticos, principalmente com Pinheiros Negros. Essa coleção é só para exibição mesmo, não estão à venda.
Para entendermos como ela consegue atingir esse nível de refinamento, basta observamos um pouco de sua história. Aluna de Hidaka (e responsável por preservar o acervo do Mestre) desde 1994, Regina também foi aluna de Massahiko Kimura (considerado um dos melhores do mundo) em 2004, além de tê-lo auxiliado em eventos internacionais. Uma mulher de fibra, que vai conquistando seu espaço com o próprio suor e trabalho. Infelizmente em nosso país (e na maior parte do mundo), a arte é praticada por uma maioria esmagadora de homens e em um país machista (especialmente quando falamos de Bonsai) como o nosso, uma mulher dessas tem que ter seu talento reconhecido. As mulheres precisam ganhar mais espaço na Arte, são talentosas por natureza, vejo mulheres (como a Vanessa, minha namorada) que mesmo sem conhecimento técnico conseguem perceber “falhas” em trabalhos e possíveis soluções, com uma facilidade tremenda. O bonsai só tende a ganhar com uma maior participação das mulheres, e apesar de ter visto um número crescente de mulheres fazendo cursos de bonsai, espero que esse número aumente ainda mais.
Reparem nessa foto acima, uma Calliandra -planta nativa do Brasil- absurdamente bem estruturada e trabalhada. Essa faz parte do acervo de Regina Suzuki, e assim como os pinheiros, não está à venda. Quando pedi para que ela escolhesse alguma planta especial para ela, rapidamente optou por esta, e não poderia ser diferente, né?
Uma visita extremamente agradável, fomos muito bem recebidos, a parte difícil foi escolher as plantas. Tudo com muita qualidade, cada vez que olhava para um lado, encontrava algo melhor. Assim como fiz no Hidaka, também trouxe algumas plantas da Regina e depois as postarei por aqui.
A simplicidade com que eles levam a vida é algo bem impactante, ainda mais para um “ser de concreto” como eu, a cada visita que faço a um viveiro desse tipo a idéia de largar tudo e “fugir pro mato” vai se tornando mais sólida. A dedicação com cada planta individualmente também choca, acho que já havia falado sobre isso por aqui, mas o trato individual faz a diferença. Ao cuidar de uma plantação inteira como se fosse uma plantação inteira (calma que isso vai fazer sentido) ela vai crescer e se desenvolver como uma plantação inteira, um conjunto, uma massa. Ao se tratar cada parte dessa plantação como parte individuais, cada parte vai crescer de uma forma e isso é o que chamo de trato individual.
No bonsai, ao se cuidar de cada planta como se fosse única, ela cresce muito melhor, porque você presta mais atenção em qual galho está podando, que tipo de arame está usando, e até no tipo e freqüência de adubação, e foi esse tipo de cuidado que percebi tanto no Mestre Hidaka quanto na Regina Suzuki, é aí que está a diferença entre os artistas medianos e os que se destacam.
Depois de algumas horas com Regina Suzuki, voltamos ao viveiro do Mestre Hidaka, para voltarmos ao Rio de Janeiro e aproveitamos para visitar o ceramista Shugo Izumi, que será o tema do próximo post. Espero que estejam gostando das fotos e que eu esteja conseguindo passar um pouco do clima mágico que pude presenciar por lá.












Dá pra perceber o quanto nossa vida é louca por aqui quando nos deparamos com lugares e pessoas como essas, com uma filosofia de vida tão mais inteligente e saudável. Sem dúvida uma baixinha “arretada” e pioneira, quebrando regras e preconceitos, conquistando assim um lugar mais confortável para as mulheres nessa arte maravilhosa. Temos muito a aprender com ela.
bjs
Show de bola Vinícius. E viva a mulher!! A mulher tem algumas peculiaridares a mais que os homes na arte, como o carinho, cuidado, dedicação, sensibilidade em seu trabalho, mas tanto nós homens, como as mulheres, quando se fala em Bonsai, e se gosta de verdade, a coisa passa a ser paralela. A Regina e o Hidaka são exemplos disso, e que bom que possamos contar com os dois para aprendermos cada vez mais.
Att.
Mateus
Maravilhoso!!! Simplesmente Maravilhoso!!!
Parabéns a essa fada
Camarada… estou sem palavras… Belíssimos espaços tanto do Mestre Hidaka quanto da Regina Suzuki… maravilhosos… inspiradores… Realmente ficamos com uma vontade imensa de fugirmos da loucura da vida no concreto cada vez que temos a oportunidade de apreciarmos e sentirmos o quanto é gostoso a vida em meio à natureza ( imagina em meio a dezenas, centenas ou milhares de bonsai )…
Parabéns Regina Suzuki, pelo seu belíssimo trabalho e por sua contribuição infinita à arte Bonsai…
MUITO OBRIGADO, MUITO OBRIGADO ,MUITO OBRIGADO! O que mais posso dizer?
Diogo Reply:
junho 1st, 2009 at 8:58
Muito boa a reportagem Vinícius! O seu blog permitiu eu conhecer um pouco dos viveiros de grandes bonsaístas brasileiros. Um dia espero visitar o viveiro do Senhor Hidaka e da Senhora Regina também e trazer muitas plantas como você! Valeu Vinicius.
Diogo.
Vinicius Costa Reply:
junho 10th, 2009 at 11:59
Diogo, é uma viagem obrigatória como eu já disse
Todo bonsaísta precisa ir lá.
Excelente relato!! O viveiro da Regina Suzuki parece ser muito bom. Já tive o prazer de conhecer o mestre Hidaka e o Sr. Izumi ambos muito bons e gente finíssima!! Mas nunca visitei a Regina, se possível me envie o endereço dela.
Abraço,
Bruno