Atibaia – Parte I

Como eu já havia falado no último post, estive em Atibaia nesta última sexta-feira (22 de maio/2009), podendo finalmente conhecer o viveiro do Mestre Osamu Hidaka (link para o mapa). Todas as fotos estão no álbum Viveiro do Mestre Osamu Hidaka.

A oportunidade surgiu quando o pessoal da Chácara Tropical convidou o Mestre para ministrar um curso na Tropical Bonsai e ao invés de pagar a passagem do Mestre, eles optaram por ir buscá-lo e conhecer seu viveiro (e claro, trazer muitas plantas). Edson Freitas, sabendo da minha admiração pelo Mestre, me ligou e fez o convite para que eu fosse junto, óbvio que aceitei, né? Afinal, só recusa um convite desses quem não bate bem da cabeça.

Depois de mais ou menos 6 horas de viagem (com uma parada para reabastecer as energias), já estávamos no paraíso.

Chegamos no viveiro por volta de 07:00AM e o Mestre já estava de pé, orientando seus ajudantes quanto a rega de suas plantas e nos recebeu com um típico chá japonês.

Confesso que não sou muito fã de chás, mas este feito pela D. Elisa Hidaka (esposa do Mestre), com arroz torrado, estava ótimo e serviu como combustível para me aquecer naquela manhã fria (típica da região).

Simplicidade é uma palavra que resume bem o ambiente de toda Atibaia, e ainda mais do viveiro do Mestre Hidaka, simplicidade, humildade e muito bom humor, em todos os lugares que estivemos (Hidaka, Suzuki e Izumi) fomos muito bem recebidos, todos sempre sorrindo e fazendo questão de nos explicar tudo o que perguntávamos.

Atibaia é uma colônia de imigrantes, até hoje todos eles se comunicam em japonês (quando falam entre si) e você tem a nítida sensação de estar em alguma forma de feudo, tudo ainda é muito artesanal e feito de forma respeitosa, como em um ritual. Cada rega, cada poda, tudo é feito com um propósito e tudo é feito sem pressa, o tempo parece passar de forma diferente, às vezes rápido demais (quando estamos aprendendo), outras vezes lento demais (quando paramos para observar ao nosso redor). Mágica, acho que essa é a palavra que estou procurando. Estar no viveiro do Mestre Hidaka é mágico, chega a parecer surreal quando ele nos explica, por exemplo, o motivo de usar plaquetas de alumínio para identificação de suas plantas.

Plástico resseca, quebra rápido, 10 anos máximo. Alumínio no, dura bem, 40, 50 anos“. Pode parecer besteira, ou um detalhe pequeno demais, porém nós ocidentais não nos atentamos para detalhes como esse. É difícil conceber a idéia de que uma planta vai ficar sob nossos cuidados por 40 ou 50 anos, e se tivermos que usar alguma plaqueta de identificação, usaremos uma de plástico mesmo porque não paramos para pensar no tempo que ela vai permanecer ali. Somos imediatistas, a placa serve para hoje, amanhã não importa e se quebrar, compramos outra. Já ele não, para ele o tempo realmente possui outra conotação para ele, por que trocar a placa a cada 10 anos, se pode usar uma que não vai trocar nunca? Enquanto nós (eu, inclusive) pensamos em podar no próximo mês, ele analisa as transformações em anos, décadas, são outros referenciais.

E por falar em tempo…

Pinheiros, semeados há 40 anos pelo Mestre. O curioso é que ele compreende que ainda está em evolução, e que isso é um processo constante. O que ele demorava 40 anos para fazer, hoje consegue fazer em 7 ou 6, utiizando récnicas de refinamento aprendidas ao longo de sua vida.

Curioso é que o Mestre nem sempre fez bonsai, seu avó fazia muitos no Japão e quando criança ele era obrigado a regá-los e ficar apenas observando, a dedicação à arte mesmo veio anos depois, já aqui no Brasil, e começou como hobby, pois ele trabalhava com avicultura, criação de pássaros, pôneis e até mesmo um restaurante de comida japonesa, que chegou a ganhar 3 estrelas no Guia Quatro Rodas.

Pinheiros, Pyracanthas, Ficus, Azaléias, Buxinhos, Calliandras… Mestre Hidaka trabalha com uma boa variedade de espécies, porém é mais conhecido por seus Pinheiros Negros. E ele respeita cada espécie, trabalhando cada uma individualmente, com formatos e conduções diferentes.

Ainda pela manhã, Regina Suzuki apareceu no viveiro do Mestre.

Ela foi nos buscar para visitarmos o seu espaço, mas isso é papo para o próximo post…

Espero que eu tenha conseguido passar um pouco do choque e da emoção que senti ao visitar o Mestre em seu “habitat natural“. Deixo aqui meus sinceros agradecimentos por ter sido recebido com tanta hospitalidade e ter recebido um presente especial do Mestre, uma Pyracantha (mame) que será cultivada com o máximo de atenção possível, e terá um lugar de destaque na minha coleção (farei um post separado para colocar este presente e outras plantas que trouxe de Atibaia).

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13 Responses to “Atibaia – Parte I”

  1. Leonarod disse:

    Muito bom vinicius. E essa ideia de irem buscá-lo foi realmente bom pra vocês e para nós que ficamos conhecendo seu viveiro.
    abraço

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  2. MATEUS MOTTA disse:

    Vinicius,

    como eu já comentei uma vez aqui no seu site, sou também um apaixonado por Bonsai. Gostaria de estar mais próximo desses momentos, como este que você viveu, aos poucos vou tentando uma aproximação maior, estou sempre visitando a Tropical Bonsai, no sábado passado estive dando uma espiadinha bem discreta no trabalho do grande Mestre. Eu só não pude participar porque no domingo eu tinha um compromisso já marcado com bastante antecedência, mas pude observar o Mestre trabalhando um Pinheiro Negro com suas mãos firmes e de intensa experiência, criatividade e sabedoria. Mais uma vez parabéns pelo seu trabalho e dedicação, para que essa arte seja cada vez mais divulgada, apreciada e experimenta aqui no Brasil.

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    Vinicius Costa Reply:

    Mateus, obrigado pelos elogios :) Tudo que escrevo por aqui é pensando em vocês, ajudando a difundir a arte.
    Uma pena que você não pôde participar do curso, mas não se preocupe, em Agosto traremos o Mestre mais uma vez :)

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  3. val ayres disse:

    Entendo perfeitamente seu encantamento, que lugar mágico. E que luz belíssima em suas fotos, parabéns. Adorei, coloca mais fotos pra gente poder ver tudinho!
    bjs,
    val

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    Vinicius Costa Reply:

    Até o sol em Atibaia é mágico, Val :) Nem tratei essas fotos, só coloquei o selo e joguei pra cá.
    Amanhã vou colocar as fotos da Regina Suzuki e depois do ceramista Shugo Izumi… :)

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  4. Flaviano Santos disse:

    Cara, fantástico!!!!!
    Como disse nosso amigo Luciano:
    Fostes à Meca!!!!
    Parabéns!
    Att.
    Flaviano.

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    Vinicius Costa Reply:

    E já que você ainda não pôde ir à Meca, pelo menos trouxemos a Meca até você :D Parabéns pra você também, afinal teve duas plantas elogiadas pelo Mestre.

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  5. Marcone disse:

    “INVEJA.” Se a inveja pudesse ser um sentimento bom, seria esse, o sentimento que tenho dentro de mim ao ver que vc teve essa oportunidade e aproveitou bastante. Parabéns. E obrigado por me dar a chance de apreciar tanta beleza!

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    Vinicius Costa Reply:

    E ainda tem muitas outras fotos para postar, Marcone :) Espero que goste…

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  6. Arruda disse:

    Mais uma vez ( e não me canso ) parabéns pela sua força de vontade, pelo seu compromisso e pelo seu amor à arte Bonsai…
    Um grande abraço ao Grande Mestre Hidaka e a todos os bonsaístas que praticam a arte com amor…
    Bonsai para todos…

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    Felipe Dallorto Reply:

    Grande Vinícius! Parabéns por esse post, muito bom!! Realmente o mestre é muito gente fina, estive lá a dois meses atrás em seu espaço e fiquei super encantado mesmo!! Como vc disse é MÁGICO!! Trouxe dois Pinheiros negros, mas infelizmente morreu por falta de paciência minha!!

    O mestre ainda falou p mim, não poda agora e nem faz o transplante, esperei um mês e não consegui me segurar e deu no que deu! Mas agora lendo esse post, lembrei o que o mestre falou p mim “Tudo tem seu tempo!!!!

    Valeu Vinícius, vou aparecer na chácara!!
    Grande abraço e Parabéns por esse site maravilhoso!

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    Vinicius Costa Reply:

    Obrigado pelo elogio, Arruda :) É recompensador receber comentários assim :)

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  7. Olá Vinícius, tudo bem?!

    Gostaria de saber se tem como você me passar o endereço do Viveiro do mestre Osamu Hidaka em atibiaia, assim como pontos de referência, horários, funcionamento…
    Estarei em São Paulo, nos Jardins, e gostaria de fazer uma visita, seria tolisse se eu não fosse…rs

    Fico grato desde já,
    Abraço!

    Leonardo Couto

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