Um sonho

Eu tenho um sonho. Que a arte do Bonsai seja difundida por todo o país, que os mitos caiam e que nossos artistas sejam reconhecidos a nível mundial. Utopia? Talvez, talvez… Mas se não conseguirmos alcançar esse nível, podemos pelo menos chegar perto o suficiente para que os próximos bonsaístas consigam continuar o caminho, certo? Mas por que estou falando isso por aqui?

Somos um país um tanto quanto complicado, isso já é de conhecimento geral e não preciso ficar explicando por aqui. Temos o incansável hábito de desvalorizar o que não compreendemos e/ou não conseguimos fazer, então quando vemos alguém fazendo malabarismo com 5 ou 6 bolas, não hesitamos em dizer: “Ahh, é só ficar jogando bolinha pro ar?“, ou quando vemos alguém podando um bonsai falamos: “Mas é só isso? Só cortar com essa tesourinha? Por que custa tão caro então?“, sem perceber que ao falarmos assim, estamos desconsiderando todos os anos de estudo e prática que levaram aquele bonsaísta a saber cortar aquele determinado galho.

É a mesma história, em qualquer profissão: Quem está pagando sempre questiona o porque daquele valor, por achar que está sempre levando desvantagem na relação. Não posso generalizar esse comportamento a nível mundial, mas creio que não seja uma particularidade brasileira, as pessoas não entendem que não basta saber apertar um parafuso, é preciso saber QUAL parafuso apertar.

Claro que existem exceções, pessoas que valorizam o trabalho alheio, seja qual for, mas no geral ainda existe muito preconceito em diversas áreas, talvez por termos a péssima mania de acharmos que temos que ser sempre melhores que os outros, um complexo de inferioridade que era visto claramente quando enchíamos a boca para falar que o Maracanã era o maior estádio de futebol do mundo, ignorando se a economia do país estava quebrada, se éramos recordistas em analfabetismo ou se possuíamos os piores hospitais do mundo.

Nesse pouco tempo de blog já conheci diversos profissionais da área (bonsaístas em geral, sem diferenciar mestres ou aprendizes), alguns mais sérios que outros mas todos, sem exceção, são sub-valorizados se comparados com a realidade internacional. Realidades diferentes não podem ser comparadas, eu sei disso e entendo perfeitamente que cada país tem suas próprias características mas, mesmo com realidades diferentes, bonsaístas de Taiwan, Tailândia, Uruguai etc. são projetados internacionalmente. Qual a diferença então? Somos piores que a Tailândia? Que o Uruguai?

A diferença é que ainda estamos engatinhando na prática do bonsai, seja pelo tempo de existência da arte em nosso país ou pelos caminhos que optamos por trilhar. Mas nosso problema é muito maior do que a simples escolha de um caminho, a questão é: Por que escolhemos copiar, ou ao menos tentar, estilos japoneses para nossas plantas? Se as espécies trabalhadas por eles são tão diferentes das nossas, porque optamos por seguir o estilo japonês tradicional em nossas árvores nativas?

Esse é um assunto delicado e que gera muitas discussões mas, na maioria das vezes, a resposta dos que não querem se adaptar é a mesma: “Eles são os melhores do mundo, e foram eles que trouxeram a arte pra cá.” Não importa o quanto isso seja discutido lá fora, não importa nem que os próprios japoneses já tenham desenvolvido ainda mais suas técnicas, existe uma resistência absurda, uma força quase sobrenatural que nos impede de dar um passo a mais, continuamos sub-aproveitando nossas árvores nativas e babando pelos exemplares apresentados lá fora.

Porém, a real razão dessa atitude é bem mais complexa. Desde nossa colonização sofremos da síndrome do vira-lata, sempre querendo ser o melhor, mas ao mesmo tempo achando que os outros sempre farão melhor que nós. Achar que tudo que é importado é melhor, e que nunca chegaremos a tal nível… É preciso admirar os trabalhos dos outros, mas precisamos olhar para o nosso quintal também, e reconhecer que temos um caminho próprio a trilhar.

Ao fazer bonsai usando apenas os estilos exemplificados por John Naka em seus livros, que por sinal são uns dos melhores livros de bonsai escritos até hoje, você aprende muito com certeza, porém, se ficar fazendo apenas aqueles estilos, você ficará sempre repetindo trabalhos, pode se tornar um mestre naquelas formas, saber tudo que há para saber, distância entre galhos, ângulos de curvatura, mas estará fazendo sempre o mesmo trabalho. Em qualquer coisa que fazemos, devemos SEMPRE buscar a inovação, novas formas de se fazer a mesma coisa ou formas antigas de se fazer novas tarefas, o importante é pensar além, enxergar além e arriscar! É preciso arriscar na vida, no bonsai, na sua carreira, pois quando não arriscamos, não inovamos, ficamos presos sempre às mesmas tarefas, à mesma rotina e aos poucos vamos cansando e o que antes era excitante passa a ser chato e feito por obrigação.

O bonsai é uma arte em constante evolução, por isso devemos evoluir junto com ela. Diversos países discutem esses caminhos, na tentativa de criar uma identidade que diferencie seus bonsai do resto do mundo, e até mesmo o Japão vive se reinventando. Antigamente era complicado, um mestre fazia um bonsai do outro lado do mundo e você só ia saber disso quando alguém publicasse em uma revista ou algo similar, mas hoje não temos mais esse atraso. A internet deve ser usada a nosso favor, devemos conversar, consultar e trocar conhecimento com o mundo inteiro, seja na busca de sugestões ou apenas para mostrar um trabalho feito, do qual temos orgulho. A interação se faz necessária, caso contrário, ficaremos cada vez mais isolados, com um potencial gigantesco mas completamente sub-aproveitado.

Não sei se consegui me expressar bem nesse texto, mas aos poucos vou colocando minhas visões por aqui. Aconselho a todos que lêem este blog, que passem a pesquisar sobre bonsai de outros países, leiam sobre a Tailândia, Taiwan, Itália e todos os outros, observem os estilos, as formas que eles dão às árvores e como essa forma varia de espécie para espécie. Vamos voltar ao verdadeiro significado da filosofia do bonsai, que é miniaturizar a natureza, seja árvore ou paisagem.

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36 Responses to “Um sonho”

  1. marco pozzana disse:

    Caro bonsaista,
    Venho acompanhando seus posts. Acho que esse sonho não está tão distante.
    Grande abraço!

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    Vinicius Costa Reply:

    Marco, realmente começo a acreditar que estamos chegando lá! :)

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  2. Fabiano disse:

    Meu caro amigo Vinícius, muito boa esta sua postagem.
    Concordo com você quanto a desvalorização por parte dos nossos e a nossa auto-desvalorização, que para mim é a mais cruel.
    Pra te falar a verdade não tenho mais visto “primaveras com cara de pinheiros” por aqui, mas sempre esteve em evidência esta tendência.
    Acho que um bonsaísta que quer ter seu acervo recheado e diversificado por espécies diferentes tem sua razão, até porque ele é livre e não porque tenha que se fazer apenas bonsai de nativas de sua região, até isso é foco de discriminação por parte de alguns, veja que Mr Lo tem muitas plantas que não lhe são nativas de sua terra natal e assim por diante.
    Acho que conífera tem que ter cara de conífera e decídua de decídua e assim vai…
    Obrigado pela oportunidade e grande abraço meu amigo,
    Fabiano.

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    Vinicius Costa Reply:

    Fabiano, foi exatamente isso que eu quis dizer! :)
    A variedade de espécies é essencial para quem quer seguir nesta arte, até mesmo para compreender que cada planta tem suas particularidades, que devem ser respeitadas.

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  3. Arruda disse:

    Concordo com você, camarada…
    Precisamos encontrar nossa própria “identidade”…
    E já podemos perceber essa preocupação nos bonsaístas brasileiros, claro que sempre irá existir alguém que se “prenda” mais ao tradicional, e isso não é errado, mas temos de lembrar que Bonsai não é somente tradição, é arte, é amor… é algo ímpar… e por ser algo único, individual, é que devemos encontrar essa “identidade”…
    Um abraço…

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    Vinicius Costa Reply:

    É isso aí Arruda! :)
    Mas até encontrarmos essa identidade, se é que vamos encontrá-la, precisamos estudar o maior número possível de “escolas”, para ver qual se adapta melhor às plantas que possuímos :)

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  4. Fabiano disse:

    Realmente muito bom o post. Acho que vc tocou em duas caracteristicas bem tipicas do brasileiro (não só nossa claro). Não sou bonsaista, longe disso, mas pessoalmente a que mais me incomoda é essa estoria de desvalorizar ou simplificar o trabalho dos outros, tipico de gente com mente estreita que só pensa em resultados e não no processo envolvido.

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    Sergivaldo Reply:

    Vinicius,
    Parabéns pelo blog e pela postagem. É, de fato, um assunto polêmico mas precisa ser constantemente discutido.
    Eu tenho uma meneira diferente de pensar a respeito desse assunto. Respeito quem condena o bonsai japonês, seus estilos e regras, mas se não fossem por eles – japoneses – eu não tenho certeza se hoje estaria fazendo bonsai.
    Tenho visto muitas críticas às tão faladas “regras do bonsai”, especialmente por quem sequer aprendeu a utilizá-las, mas, como você mesmo falou, nós, brasileiros, estamos acostumados a desvalorizar o trabalho alheio…
    Trilhar pelo caminho do japonês não é errado, para mim, bonsai é bonsai, independente de sua origem. É quase impossível identificar a nacionalidade de um bonsai apenas pela foto (a não ser que já se conheça antes).

    Eu não sigo regras ao pé da letra, mas sempre levo-as em consideração quando estou trabalhando minhas plantas. Sabe porque não ouso criticar o bonsai japonês?? porque nunca vi ninguém ensinar a fazer bonsai sem fazer uso dessas regras.

    Você conhece algum livro que ensine a fazer bonsai no estilo chinês? Não faz muito tempo que postei nos fóruns a seguinte dúvida: “Estilo Naturalístico – Como Desenvolvê-lo??” Houve muita discussão, mas até hoje continuo sem respostas.

    Até mesmo quem não gosta do estilo japonês tem um moyogi, um kengai, um fukinagashi… e por aí vai.

    Todos sabem que o ensino, quer seja acadêmico ou não, é apenas o primeiro passo para se seguir adiante. Ninguém sai 100% de uma universidade ou de um curso qualquer. Mas se não frequentarmos escolas, dificilmente encontraremos o caminho certo. Penso que no bonsai é a mesma coisa.

    Não tenho dúvidas que se tentássemos, primeiro, aprender as regras do bonsai, iríamos compreender sua essência, seus porquês e veríamos que a coisa não é tão rígida assim como apregoam.

    Em relação aos estilos, não entendo porque não podemos aplicá-los às nossas espécies nativas. O erro está em querer generalizar os gêneros.

    Uma conífera naturalmente possui uma copa pontuda, enquanto que uma jabuticabeira, por exemplo, segue a grande maioria das espécies e tem sua copa arredondada. Este sim é um erro muito comum de ser visto entre os bonsaístas brasileiros: qualquer espécie com uma ponteira pontiaguda.

    Arredondem os ápices das espécies que não são coníferas, distribuam os galhos sem conflitos entre si, observem as proporções naturais e verão que o trabalho flui muito melhor. Acho que é só isso que as regras tentam nos mostrar.

    Grande abraço!!

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    Vinicius Costa Reply:

    Grande Sergivaldo :) É um honra tê-lo por aqui… Acho que você conseguiu entender bem o que eu quis dizer sobre os estilos… Realmente não há nada de errado em segui-los, o errado é querer aplicar estilos sem respeitar a natureza da árvore. Pode-se até obter um resultado bonito, porém a planta acaba ficando sub-aproveitada.

    Já escrevi outra vez por aqui, falando que para “fugir” das regras, é preciso conhecê-las primeiro e acho que o conhecimento está aí, ainda mais com a internet, basta procurar, mandar e-mails ou participar de fóruns internacionais… O importante é não se fechar, não achar que existe apenas um único modo de fazer, respeitar todas as escolas e definir qual se adapta melhor às espécies que temos disponíveis :)
    O que eu não gosto é de ver pessoas criticando esta ou aquela planta porque o galho está 3cm acima do local que “deveria” estar, não se preocupam em ver como está a planta, só medi-la e ver se encaixa no molde, pra mim, isso foge um pouco da filosofia da arte.

    O “problema” das regras são as pessoas e as interpretações que fazem dos ensinamentos, muitos não admitem que possam existir outras interpretações e não hesitam em criticar o trabalho alheio. E isso pode desestimular quem está começando, e no final das contas acaba sendo prejudicial para a arte como um todo.

    Pessoalmente, eu ainda tenho um looooongo caminho a trilhar, muita coisa para aprender, mas por trabalhar com internet eu me acostumei a procurar todas as repostas para minhas dúvidas e depois ir assimilando aos poucos o que pode ou não funcionar. E às vezes me incomoda ver tanta informação disponível por aí e poucas pessoas lendo e tentando aprender de verdade…

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    Vinicius Costa Reply:

    Infelizmente a humanidade é assim, né Fabiano? :) Só nos resta tentar evoluir aos poucos :)

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  5. Fabiano disse:

    Amigos eu já pensei muito sobre este bonsai nacional, esta identidade abstrata no qual quem discute geralmente não são quem detém as melhores obras do nosso país.

    Com isso eu imagino que antes de termos uma identidade brasileira na arte bonsai, mesmo que sempre que podemos expurgamos suas origens e suas “regras”, temos que aprender a base: o bonsai, sendo arte original ou cópia, que é uma das melhores maneiras de aprender…

    Sei que talvez tenha falado demais ou que não seja muito o rumo do post, mas é minha opinião, pode mudar, ou não… só o tempo e as experiências dirão.

    Abração e obrigado pela oportunidade.
    Fabiano.

    Responder

    Vinicius Costa Reply:

    Se você pensar desse jeito, Fabiano, então um crítico de cinema só pode avaliar um filme se tiver feito algum igual ou melhor?
    Não acho que seja necessário ser um mestre do bonsai para se discutir esse assunto e desejar algumas mudanças na forma como conduzimos nossas plantas.
    Realmente acho que não temos nada a ganhar ignorando ou rejeitando as regras, acho que temos é que aprender cada vez mais, mas acima de tudo, temos que estar sempre abertos a novos conhecimentos e novas escolas, acho que o caminho é por aí :)

    Responder

    Fabiano Reply:

    Vinícius meu amigo, acho que você não me entendeu muito claramente.
    Geralmente estas discussões são levadas mais a sério por iniciantes como nós, talvez pela acomodação dos mais experientes, então a bandeira não vai muito longe, é disso que tento falar, sem muito pulmão, o grito sai baixinho.

    Já o rumo de nossa arte e plantas é lógico que podemos ter base ou tomar algum padrão emprestado mas cada um sabe do seu, como eu disse acho apenas que conífera tem que ser tratada como tal e decídua também, em questão de estilização e tudo mais que corresponde a sua espécie, para isso é necessário além de bom senso um pouco de experiências e discussões como essas para clarear mais nossas idéias e deixar mais visível um “NORTE” para que possamos nos conduzir melhor na arte.

    No dia em que deixarmos de ter preconceito por isto ou por aquilo é que cresceremos, a visão mais ampla nos dará mais chance de acertar ou errar, ou reconhecer o erro antes mesmo de cometê-lo.

    Quem vê bonsai como arte e toma todas as escolas como capítulos da mesma fazendo com que se tire o que acha melhor de cada uma, adaptando ao seu gosto pessoal, fará algo que venha do coração (pelo menos espero), eu duvido que fique uma peça ruim, até porque para criticar um bonsai você tem que saber qual o objetivo do artista para aquele momento e qual estágio deste ela se encontra, muitas vezes achamos q o trabalho não está bom e o trabalho nem está na metade…

    No mais é isso meu amigo, sou a favor do bonsai sem bandeiras, do bonsai arte, tomando por arte o que você sabe (conhecimento) misturado com o que você sente (sentimento), fazendo só o que se gosta, não necessariamente tem que se ganhar um concurso ou ser algo que seja apreciado por todos, mas em primeiro lugar, que atinja o seu objetivo, a sua meta como bonsaísta, seja ela qual for, até porque será um produto seu.

    Poderíamos nos alongar por muito neste papo gostoso e franco, mas usaria demais seu espaço meu amigo, peço desculpas se minha posição seja um pouco contundente mas se observar mais de longe verá que é ao contrário, o problema é que neste seu post tem muitos assuntos polêmicos onde passaríamos muito tempo para conversarmos sobre cada um deles: Bonsai nacional, escolas, atitude, mestres, etc… :P

    Agradeço mais uma vez pela oportunidade e espero que desta vez tenha ficado claro minha posição que é uma só desde que comecei e deixei sempre claro, por isso que lhe digo que pode ter gente que não aceita… fazer o quê? gostaria muito mas agradar à todos mas isso nem Cristo, imagine eu? ;)

    Grande abraço,
    Fabiano Costa. ( Tá cheio de Fabiano aqui…hehe)

    Responder

    Sergivaldo Reply:

    Faço minhas as palavras do Fabiano Costa. Também acho que o caminho é por aí.

    Acrescento uma opinião pessoal: acho que esse assunto afugenta muita gente porque não querem se envolver em polêmicas, ficarem sendo vistos como radicais, etc, etc, etc…. Eu, sou teimoso mesmo e gosto do tema.

    Eu vejo o bonsai brasileiro em ascensão, pois se compararmos os trabalhos mostrados há quinze com os atuais veremos uma mudança considerável. Isto não quer dizer que chegamos ao ápice da montanha, nem tampouco que somos inferiores a outros países. Eu digo que estamos n’outro estágio.

    Se observarem bem, perceberão que apenas alguns insistem em dizer que o que fazemos é inferior ao praticado em Taiwan, na Indonésia, na Tailândia, etc. Então, cabe primeiro a eles aprenderem e depois nos ensinarem como fazer algo melhor.

    E é aí que eu insisto: só se aprimora alguma coisa através da prática constante, para se praticar há necessidade saber para onde ir, o que fazer. Em outras palavras: há de se dominar as regras, aplicá-las e, se possível, compreendê-las.

    Então, o que está errado no bonsai brasileiro??? é a falta de uma identidade própria??? O que seria essa identidade??? o que devemos fazer para torná-la uma realidade?? Basta só dizer que estamos errados??

    Vinicius, me desculpe tamtém se eu estiver atrapalhando o andar da carruagem. Se assim o entender, tem toda a liberdade para deletar minhas postagens, não ficarei aborrecido em absoluto.

    Grande abraço!!

    Responder

    Vinicius Costa Reply:

    Sergivaldo, o espaço aqui é pra isso mesmo :) A troca de idéias é que nos faz ir cada vez pra frente! :)

    Acho que a única coisa que está errada no “bonsai brasileiro” é realmente achar que nunca poderemos fazer como eles fazem lá fora.

    Temos que levar em conta também, o tempo de prática, afinal é a prática -aliada ao estudo- que leva à “perfeição”, e ao olhar aqueles exemplares imponentes e trabalhados durante gerações, acabamos por nos desmotivar e a achar que só eles fazem coisas bonitas, digo isso em grande parte dos casos, é claro que existem pessoas que ao invés de desanimar ficam ainda mais empolgadas mas, são exceções.

    E eu acho que temos que ser teimosos mesmo, Sergivaldo! Deixar o assunto pra lá, só porque é polêmico, é prejudicial pra todo mundo… É preciso discutir, conversar, estudar e fazer a coisa movimentar, senão ficaremos sempre no mesmo marasmo…

    Concordo que temos muito o que aprender ainda, e muitas técnicas para praticar e aprimorar.. Material pra praticar, acho que temos de sobra né? :) Calliandras, ficus, pitecos… O lance é colocar a mão na massa mesmo, e tentar absorver o máximo de conhecimento possível, seja de qual escola for. :)

    Vinicius Costa Reply:

    Pois é, os Fabianos estão se ploriferando heheheeh :)

    Acho que agora entendi bem, Fabiano… E concordo com você, é preciso encarar o bonsai como arte, e sendo arte, cada um tem sua interpretação e forma de se desenvolver.

    E realmente não dá pra agradar todo mundo, o jeito é torcer para que as pessoas abandonem seus pré-conceitos e consigam avaliar cada trabalho individualmente.

    Ainda temos um longo caminho a percorrer, mas acho que a vantagem de podermos conversar sobre isso e de acompanhar as discussões que acontecem lá fora, nos dão uma vantagem muito grande… Quanto mais aberta for a mente, mais natural é o desenvolvimento, certo? :)

    E sem essa de atrapalhar… O espaço aqui é para isso mesmo, para conversarmos, trocar opiniões e o que mais for necessário. Não ia ter a menor graça se eu escrevesse algo e todo mundo ficasse quieto :)

    Responder

  6. Fabiano disse:

    Fabiano meu xará, vc tem toda razão!

    Responder

    Fabiano Reply:

    Fala amigo, a coisa é mais simples do que pensamos!!

    Muitas vezes principiantes ficam apavorados em querer fazer uma planta linda tipo a maioria de Mestre Kimura ou Mestre Lo e acabam por não entender como fazer o básico moyogi, então eu pergunto: Como isso seria possível? Sem bases sólidas como um prédio poderá subir?

    Não defendo de forma alguma fazer uma planta apenas pelas regras principais elaboradas pelos japoneses, mas acho profundamente que devemos conhecê-las para poder mudar nossos trabalho, e daí ter algo mais original, isso não é ser teórico e sim estudado!

    Temos coisas maravilhosas em nosso país, inclusive do nosso grande Sergivaldo que aqui comenta, no qual sou fã de seu trabalho e ele sabe disso, mas para chegar a um nível deste, teve chão meu amigo, muita leitura, muito estudo.

    Creio que depois de um certo período teremos mais na frente uma identidade mais forte de nossas plantas, e tenho certeza que serão as nativas as vedetes, mas para isso precisamos trabalhar arduamente com tudo o que dispusemos em questão de matéria prima viva, aprender para não passar vergonha, não é mesmo?

    Existe um ditado que diz: especialista é um cara que sabe quase tudo de nada e nada de quase tudo…é bom refletir…

    Abração xará,
    Fabiano Costa.

    Responder

    Sergivaldo Reply:

    Oi Vinicius,

    Fico feliz que tenha entendido minhas palavras.

    “Acho que a única coisa que está errada no “bonsai brasileiro” é realmente achar que nunca poderemos fazer como eles fazem lá fora.”

    Agora, numa boa, me diz: quem é que pensa assim. Eu, pelo menos, nunca pensei dessa forma. “Sou um pigmeu que só fita os andes…”.

    Apesar do pouco tempo nesse caminho, temos grandes bonsaístas brasileiros. Só para ilustrar: Marcelo Martins, Roberto Gerpe, Carlos Tramujas, Rock Júnior, Cláudio Ratto, Charles White, Charles de Barretos, Osamu Hidaka, Regina Suzuki,Zezão, Valdir Hobus, Fernando Magalhães e tantos outros anônimos, espalhados por esse país afora. Perguntem a algum desses se eles se acham inferiores aos gringos. Se não acreditarmos em nosso talento, quem irá acreditar?? os chineses??

    Não devemos confundir humildade com complexo de inferioridade. Não temos razões para isto.

    Grande abraço!!!

    Responder

    Vinicius Costa Reply:

    Sergivaldo, os bonsaístas mais experientes não entram nesse questionamento :) Quando falei do “problema brasileiro” me referi às mensagens que leio em alguns fóruns e até e-mails que recebo.
    Mas sei que a coisa tende a mudar, principalmente quando nos propomos a conversar sobre esse assunto, é assim que ocorrem as mudanças. :)

    Nada a ver com o assunto mas, estou contando os dias para o evento lá em Niterói :D Vai ser um prazer finalmente te conhecer ao vivo e espero aprender bastante!

    Responder

    Sergivaldo Reply:

    “Sergivaldo, os bonsaístas mais experientes não entram nesse questionamento Quando falei do “problema brasileiro” me referi às mensagens que leio em alguns fóruns e até e-mails que recebo.
    Mas sei que a coisa tende a mudar, principalmente quando nos propomos a conversar sobre esse assunto, é assim que ocorrem as mudanças.”

    Eu acho que cabe justamente aos ditos “mais experientes” a responsabilidade de desmistificar esse equívoco. No Brasil não temos mestres de bonsai (pelo menos na minha opinião) e poucos, poucos mesmo, dos que citei no post anterior estão dispostos a participar de algum fórum de bonsai e ensinar o que aprendeu. Se, de repente, alguém apregoa que o bonsai brasileiro deve ter uma identidade própria porque nossas plantas nativas são diferentes das existentes na Europa, por exemplo, se não tiver ninguém que prove o contrário, fatalmente a grande maioria de iniciantes seguirá acreditando nisso. Então, antes mesmo de assimilarem os fundamentos básicos já vem com a preocupação de criarem algo novo.

    Há de se ter a humildade para aprender as regras básicas e tentar aplicá-las, praticar bastante, observar trabalhos bem sucedidos (net, livros, exposições, etc) e buscar inspiração na natureza (forma das árvores, movimentos dos troncos e galhos). Os primeiros resultados poderão não ser aquilo que sonhávamos, mas serão fundamentais para avaliarmos nosso aprendizado. Aos poucos iremos percebendo que determinado aspecto não está legal, que necessita ser corrigido, que poderemos melhorá-lo e, finalmente, descobrimos que isto não acaba nunca. Essa é a minha maneira de pensar e de fazer bonsai.

    Grande abraço,

    Vinicius Costa Reply:

    Pois é, um outro problema é que esses bonsaístas mais experientes muitas vezes nem gostam de computadores :) E aí a “responsabilidade” fica no ombro de poucos, como você, que se dispõem a debater esses assuntos.

    Acho que tudo é uma constante evolução, um verdadeiro aprendizado eterno e devemos realmente dar um passo de cada vez… Esse blog aqui mesmo, por exemplo… Existem coisas que falei no início, que não representam mais a minha opinião atual. Com o passar do tempo, com o encontro com outros bonsaístas, vou aprendendo mais e algumas idéias vão se reorganizando, e o site vai crescendo junto comigo. :)

  7. Castro disse:

    “Eu tenho um sonho. Que a arte do Bonsai seja difundida por todo o País, que os mitos caiam e os nossos artistas sejam reconhecidos a nível mundial”

    As árvores nem sempre respondem igual ao que esperamos delas, e sobretudo, como Bonsaistas deveremos ter a humildade de ver-nos sempre como inferiores em relação ás mesmas, diante da sabedoria e das Forças da Natureza.

    A demanda de uma identidade como é o caso do “Bonsai Brasileiro” por acaso é um aspecto curioso, porque costumo frequentar vários fóruns a Nível Internacional (Espanhóis Franceses; Ingleses; Italianos etc.) e não vejo nos mesmos, essa busca/necessidade de afirmação…será que é mesmo necessário??? será que não seria preferível ser reconhecido “o Bonsai” pelas suas excelentes qualidades de nível internacional e com isso então, arrastando o eventual artista…por muito que nos custe, deve ser o Bonsai o centro das atenções e não quem fez o de qual a sua origem…até porque árvore não tem Pátria.
    Não têm que ser melhores nem piores que País algum…têm que fazer Bonsai e isso felizmente já fazem e com bons exemplos, tanto artísticos como no factor humano como referiu o Amigo Sergivaldo…agora falta uma “Regra”, talvez a única que é igual para todos e não lhe podemos fugir…e tantas vezes ignorada até por alguns mais experientes “O TEMPO”.
    O Tempo fará com que essa projecção (reconhecimento) se proporcione mais tarde ou mais cedo e, quando isso acontecer, para ser sólida, que seja por inerência aos trabalhos que têm vindo a evoluir/desenvolver e não porque um determinado indivíduo se sobrepôs aos trabalhos, porque também acontece…
    Ainda que se encontrasse essa tal “identidade”, não seria fácil cair um paradoxo para quem hoje não pretende seguir o bonsai dito Tradicional por o considerar redutor???
    Um bom exemplo disso foi indicado pelo Amigo Fabiano, o maneira como apregoam a utilização das Nativas/autóctones como quase exclusividade total, senão mesmo total como também acontece…se todos assim procedessem, gostava de ver aonde iriam buscar os belos exemplos com que agora se deliciam provenientes de Países Asiáticos, são as vossas espécies mas felizmente alguém (lá) teve o bom senso não se deixar reduzir em termos de criatividade, ao ponto de utilizar apenas as nativas de lá.
    Acerca das ditas regras, pouco ou mais nada haverá para dizer, concordo com o Amigo Sergivaldo, têm o peso que têm, cada um usa/tira proveito delas aquilo que entende…o que importa é que se sinta bem e o resultado seja digno de sua admiração/gratificante.
    Como também já o disse em tempos a um Amigo…para aqueles que as abominam e que lá terão as suas razões, relembro mais uma vez que o simples facto de se o fazer sem regras…é estar a fazer-se Bonsai com regras. “A REGRA DE NÃO CUMPRIR REGRAS” redundância não é?? chamemo-lhes antes directrizes, julgo que talvez seja mais adequado.
    Não é para stressar, Bonsai deve ser feito bebendo de todas as fontes, com todos as espécies que entendamos, e se não for para expor (tenha que ser avaliado) da forma que quisermos; Bonsai é “o Tempo”; a Paciência; a Rega; a Poda; a Limpeza do Vaso; a Árvore que oferecemos a um amigo…
    Eu uso ou tento usar como filosofia:
    “Não olhe para as outras escolas com desdém, retire delas o que é bom. O que é mau descarte, ponha de parte, mesmo que provenha da sua própria escola.”

    Sendo um tema polémico que costuma ser, tal como os demais considero Amigos considero que de vez em quando deve ser debatido/discutido…ele existe logo deve-se falar nele abertamente ainda que nos pareça não chegar a lugar algum…
    Esta foi a minha opinião pessoal e deve ser válida como tal….espero com estas minhas palavras não ter ofendido ninguém, se tal inadvertidamente aconteceu, as minhas desculpas, logo peço o especial favor a quem de direito, que sejam retiradas parcialmente ou no seu todo, caso assim o entendam.

    Obrigado

    Cptos

    Castro

    Responder

  8. Fabiano disse:

    Este é o post mais interessante de desmitificação das diretrizes, as tais errôneamente chamadas de regras (talvez tinha sido conveniente para o momento no qual foram criadas), que eu já tive o prazer de participar ativamente, além de todo o conteúdo que agregou-se no mesmo.

    Sergivaldo e Castro, concordo absolutamente com vossas opiniões e vejo que ainda há consciência, digamos que positiva, na arte em nos aprofundamos.

    Grande abraço eparabéns Vinícius pela ótima condução deste tópico.

    Fabiano.

    Responder

    Rock Júnior Reply:

    Olá Pessoal!!!
    Fiquei muito feliz em ler todos esses posts, principalmente com o teor neles contido e o o Inicial do Vinícius. É legal saber que existem esses questionamentos, que na minha perspectiva, demorou a aflorar.
    Quanto à sindrome do vira lata, já está na hora dos brasileiros acordarem e valorizar tanto as nossas plantas qnto nosso potencial artístico e criativo. Temos um enorme potencial aqui, tanto que o Liporace quiz fazer uma Escola aqui desde a primeira vez que nos visitou. E ele me deichou muito claro que o principal fator a seduzi-lo foi nossa habilidade artística e o que tinhamos conseguido sem nenhuma orientação realmente consistente.
    Quanto às regras, eu as considero importantíssimas dentro do contexto artístico, principalment pq, como o Sergivaldo citou, a sua finção é antes de mais nada, didática. Facilitar ao iniciante na arte, que ainda não tem um padrão estético definido, tenha um norte, uma direção à seguir. Se vc deseja quebrar as regras, as aprenda, as domine aí sim esta àpito à quebra-las.
    Concordo plenamente com o Sergivaldo ao dizer que “ainda” não temos mestres no Brasil, principalmente pq a arte do Bonsai é muito profunda e extensa, de aprendizado extremamente lento e trabalha com a natureza.
    No entanto deicho claro aqui minha opnião que podemos sim chegar no nível internacional, só depende de nós. Deicharmos todas as vaidades e ambições pessoais de lado, assumirmos nossa ignorância e estudarmos e experimentarmos muito são impressindíveis para um desenvolvimento de qualidade.
    Ninguém aprende o que já acha que sabe…
    Parabéns a todos, e isso aqui já é um sinal que os tempos estão mudando…
    Grande abraço a todos.

    Responder

    Fabiano Reply:

    É isso aí professor, quando todos descobrirem que o básico do básico tem que ser o fundo do copo e ainda tem todo o resto para preencher creio que isto não se discutiria mais.

    Talvez nosso problema seja que somente as regras estejam enchendo muitos copos e isso é um problema, além de que varia muito de cada pessoa o tamanho do copo que ostenta.

    Saber onde deve ficar o 1o galho, o 2o e galho de fundo e etc. pode deixar muitos se iludirem que aprenderam a fazer bonsai, deixando de lado daí toda sua criatividade, bom senso e noção estética que possam usar quem sabe até para encher mais uma metade do mesmo copo… e encher o resto com muito estudo e humildade, acho que pode ser por aí, pelo menos foi o que eu aprendi nessa minha pequena porém intensa jornada atrás de conhecimento desta arte no qual nos aficciona cada dia mais.

    Abração à todos,
    Fabiano.

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    Sergivaldo Reply:

    Grande Rock!!!

    Sua opinião é muito importante para todos nós e é disso que precisamos: uma participação mais efetiva dos nossos bonsaístas mais experientes.

    Eu tenho como opinião pessoal a premissa de que para ser um grande corredor, primeiro, temos que aprender a andar. Nem todos que aprenderam a andar se tornaram ou se tornarão atletas, isso não quer dizer que apenas os grandes atletas se sentirão realizados (desculpem-me a analogia).

    Não sei se estou me desvirtuando do tema (se for o caso, peço desculpas ao Vinícius e peço, por favor, para que desconsidere minha postagem), mas sempre que o assunto “regras do bonsai” é citado, me desperta muito interesse.

    Como o Fabiano colocou acima, o simples fato de conhecermos algumas (ou todas) as “regras” do bonsai não nos habilita à categoria de artista. Mas, certamente, todo grande artista deve conhecer as regras, por mais tola que pareça ser.

    O curioso é que, mesmo aqueles que dizem que tais regras não são necessárias, tiveram a preocupação de aprenderem e, por mais que tentem negá-las, fazem uso constante das mesmas.

    Acho que deveríamos dar mais ênfase ao “porquê” dessas regras, ao invés de tentarmos encontrarmos uma forma de fugirmos delas. Que tal o termo “domínio”?

    Grande abraço!!

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    Rock Júnior Reply:

    É isso aí meus amigos!
    É uma prazer pra min Sergivaldo, participar de conversas com esse teor, em que o foco é muito importante pro desenvolvimento da arte no nosso país. Concordo plenamente com você em ralação à enfase quantos às regras e Proponho a todos até um novo post trantando desse assunto. Uma vez que pegamos o sonho do Vinícius e o desviamos pra cá. rsrsrsrsrsrsr.
    As regras são realmente importantes, sem a menor sombra de dúvida, e todos os países que estão com um elevado nível técnico as têm muito claro em seus bonsai. Basta os analizarmos que as veremos.
    Então voltando ao tema do Vinícius, para conseguirmos derrubar o mitos e ter um padrão nacional é fundamental ter muito bem claras e discutidas essas regras…
    Grande abraço a todos.

    Vinicius Costa Reply:

    Sergivaldo, o espaço aqui é aberto justamente pra isso, para que a troca de idéias possa fluir e que possamos discutir os mais variados assuntos. Mesmo que a gente não perceba, eles acabam sendo interligados :)

    Você tocou num ponto importante… Qual o motivo dessas regras? Por que diabos o galho tem que sair da parte externa da curva? Já vi bonsaístas passando essa informação sem explicar o real motivo (que é bem simples, já que na natureza os galhos que nascem na parte interna das curvas, tendem a receber menos sol e por conseqüência não se desenvolvem e/ou morrem) e isso acaba gerando muita confusão, pois quem está aprendendo acaba achando que aquela é a única forma de fazer bonsai, como se existisse um molde padrão e que todo mundo fosse obrigado a segui-lo…

    Vinicius Costa Reply:

    É, esse post está ficando bem freqüentado… Sergivaldo, Fabiano, Rock Jr e Castro :)

    Posso assinar embaixo do que você disse, Rock? Tá assinado! :)
    Realmente acho que temos potencial para crescer muito mais, basta um pouco mais de atitude por parte dos bonsaístas mais experientes :) Se cada um fizer a sua parte, como você está fazendo com a Escola do Liporace, creio que, no final, todo mundo vai sair ganhando!

    Sobre os mestres… O conceito é bem amplo, né? De que adianta o cara saber aramar perfeitamente uma planta, se sai xingando todo mundo e desprezando o trabalho alheio? Ser um Mestre é um conjunto de fatores, onde o principal (para mim) é o quanto um bonsai consegue TE modificar :)

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  9. Castro disse:

    Olá Rock Júnior
    Antes de mais muito prazer ;)
    Concordo em absoluto com as suas palavras e como não podia deixar de ser com os Amigos Fabiano e Sergivaldo.
    As “regras”/directrizes são importantes para nos nortearem e apenas isso…devem ser conhecidas para que melhor percebamos (em determinadas situações) quais as suas vantagens para valorizar um qualquer exemplar….contudo nunca devem ser consideradas como “um absoluto” da nossa criatividade, devem ser aplicadas se possível de forma expontânea e com “peso e medida”…são sem dúvida alguma importantes, seja qual for o quadrante escolhido, não limita á vertente Nipónica..
    Vi recentemente imagens com alguns exemplos interessantes de árvores que não são modeladas dentro do padrão Japonês e um aspecto curioso, é que tendo sido vistas por tantos que as contestam/abominam, estão evidentes regras/directrizes de volumetria/proporções e ninguém questiona que tipo de linhas horizontais serão aquelas que aparecem nesse tipo de exemplos… (como no livro do Mestre Jonh Naka entre outros), o facto destas linhas; letras ou números indicarem que aquelas formas não são idênticas por ex: ás das coníferas e que devem ter determinado o tipo inclinação; altura e formato de copa etc…não deixa de ser uma “directriz” como qualquer outra…mesmo que seja numa nativa da América do Sul ou de África.

    Por isso parece-me que o estudo delas é de suma importância, independentemente do uso que façamos delas ou não…mas se por ventura objectivarmos entrar em concursos de Nível Internacional, então é melhor pensar mesmo bem,…porque ai o caso pode mudar de figura, se tivermos que passar num crivo de um Júri., a ausência de algumas, poderá fazer com que não se passe nem da pré-selecção.

    Quanto á discussão também acredito que deva ser discutida/debatida, a conversa é sempre um bom caminho….mas o tema é espinhoso, as pessoas por vezes pelo simples facto de as recomendar (estudo) facilmente chega ao ponto de ser conotado por fundamentalista…

    tudo de bom.

    Cptos.

    Castro

    Responder

    Rock Júnior Reply:

    Olá Castro!
    O prazer é todo meu!!!
    Concordo plenamente com você, entre a regra e o seu gosto, vá pelo seu gosto.
    Mas se for pra concurso, vá pela regra…
    E aproveitando que citou o Naka vou deichar uma frase dele que considero uma pérola: “Fáca com que seu bonsai fique parecendo uma árvore e não sua árvore parecendo um bonsai”.
    Grande abraço!
    Rock Jr.

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    Sergivaldo Reply:

    “As “regras”/directrizes são importantes para nos nortearem e apenas isso…devem ser conhecidas para que melhor percebamos (em determinadas situações) quais as suas vantagens para valorizar um qualquer exemplar….contudo nunca devem ser consideradas como “um absoluto” da nossa criatividade, devem ser aplicadas se possível de forma expontânea e com “peso e medida”…são sem dúvida alguma importantes, seja qual for o quadrante escolhido, não limita á vertente Nipónica..”

    “Por isso parece-me que o estudo delas é de suma importância, independentemente do uso que façamos delas ou não…”

    Perfeito! Disse tudo Castro.

    Talvez essa compreensão seja o que está faltando no bonsai brasileiro.

    O sonho do Vinicius, ao que me pareceu, seria o reconhecimento internacional dos bonsaístas brasileiros. Como isso será possível se quisermos fazer bonsai apenas ao nosso gosto?

    Grande abraço!!

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    Vinicius Costa Reply:

    Castro, acredito que esse problema de “extremismos” acontece tanto no bonsai quanto em qualquer outra área.
    Religião, futebol, mulher… Sempre existem os “xiitas” quando os assuntos são esses, são pessoas que não aceitam que seu time tenha menos títulos que os outros ou que sua religião não seja a única “salvadora de almas”, e no bonsai tem gente que acredita que todas as plantas devam ser como as coníferas…

    Acho curiosa essa limitação, pois hoje vivemos em uma era de informação, onde com a internet temos acesso a coisas que nunca imaginamos antes, seja por fotografias, por vídeos ou até em uma conversa com bonsaístas de outros países (como você, que de Portugal está participando de uma conversa em um blog brasileiro), e com toda essa gama de informações ainda exista gente que se nega a aprender mais.

    Acho que essas pessoas vão continuar paradas no tempo mesmo, e nossa missão é crescer junto com a arte, seja aprendendo novas formas de utilizar velhas regras, ou até mesmo novas regras para novas espécies de plantas… Não importa o quão espinhoso é o tema, pelas conversas que temos por aqui já deu pra perceber que o que importa mesmo é o desenvolvimento da arte, né? :) E que conversar com pessoas assim é sempre ótimo e sempre gera novas idéias :)

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  10. [...] gostaria de acrescentar uma citação do bonsaísta Antônio Castro em um outro post no blog do Vinícius, que mostra a minha opinião acerca do assunto regras, mas quem tiver tempo e interesse e quiser [...]

  11. marcelo disse:

    as palavras ditas servem para ser lidas e refletidas na busca a autenticidade individual e coletiva da arte bonsai brasileira.Parabens!!!!!

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