Archive | novembro, 2008

Qual a sua linha?

Prontos para um post-gigante? Então vamos lá…

Quando começamos a estudar a arte do bonsai com mais dedicação, aprendemos que existem diversas vertentes de estudo, o que antes era “simples” pode acabar se tornando confuso, caso não tenhamos um pouco de discernimento para escolher qual caminho seguir.

Se você está lendo esse texto, provavelmente já sabe um pouco sobre a origem do bonsai, então já compreende que sendo uma arte em constante evolução, alguns países tomaram a liberdade de adicionar suas idéias à ela. O Japão saiu na frente, tanto que hoje em dia, se alguém falar de bonsai perto de você, o Japão será o primeiro país que você pensará. Mas apesar disso, diversos outros países desenvolveram rapidamente sua própria forma de fazer bonsai.

A Tailândia, por exemplo, possui belíssimos exemplares de árvores que inclusive podemos encontrar com facilidade aqui no Brasil, como Ficus (aliás, o ficus é encontrado em quase todo mundo), Pithecolobium, Jabuticabeira, em sua maioria com um estilo mais parecido com o Chinês, de árvores frondosas e cheias, como essa foto abaixo, retirada do site Siam Bonsai:

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A Visão

Pegue um planta bruta, sem nenhum tipo de trabalho ou condução. Como transformá-la em um bonsai? Basta aramar os galhos para baixo e podá-la? É só plantá-la em um vaso raso (ou bandeja)?

Sabemos que nada é tão simples assim. Claro que os monges chineses não ficavam pensando em regras quando faziam os seus, há mais de mil anos atrás, mas toda atividade sofre evoluções com o passar do tempo, ainda mais quando o ser humano está envolvido (já que temos a maravilhosa habilidade de “complicar” o que é simples), e no bonsai surgiram as regras. Em sua maioria, definidas pelos japoneses com o intuito de organizar um pouco as coisas, mas nunca com a intenção de desprezar determinado trabalho de determinado bonsaísta. As regras servem como alicerce para quem está começando, para entender o que pode ser feito para que a planta chegue onde você quer, sem danificá-la.

Eu considero as regras como um caminho trilhado, por onde é seguro passar, mas como eu disse no post sobre Talento, em um determinado ponto do caminho, as regras deixam de ser educadoras e passam a ser limitadoras. Mas não é exatemente sobre as regras que eu quero falar, afinal, ler um livro e decorar regras é fácil, não? Mas e como aplicá-las?

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A vaidade

Já mencionei esse assunto, indiretamente, outras vezes por aqui, mas hoje quero falar abertamente sobre:

A Vaidade

Esse orgulho extremo que podemos sentir, e que nos cega para o mundo ao redor. Bonsai é paz, certo? Paz, contemplação, meditação, paciência… Mas como, em uma arte tão sublime, existem pessoas vaidosas ao extremo?

Pessoas são pessoas, em qualquer lugar, em qualquer país. Se antes eram os monges que cultivavam bonsai, hoje a arte está ao alcance de qualquer um que se esforce um pouquinho para aprender. Pessoas mal-educadas, pessoas nervosas, de pavio curto… Pessoas arrogantes.

É triste às vezes perceber que os praticantes desta arte não se lembram do real significado de cultivar um bonsai, e usam suas plantas para inflar ainda mais seu ego, se achando no direito de criticar o trabalho alheio… Essas pessoas se acham tão superiores que saem por aí desmotivando quem quer aprender a arte, e classificando os trabalhos alheios como se fossem jurados de algum concurso.

O curioso é que essas mesmas pessoas raramente possuem algum trabalho magnífico, digno de receber prêmios internacionais… Vão na onda de outras pessoas, como aqueles grupinhos de “amigos” valentões que existem nos colégios, onde um fala e todos repetem. Se formos analisar a fundo o comportamento dessas pessoas vamos encontrar uma série de frustrações pessoais, que elas resolvem exteriorizar agredindo outros, mas isso aqui não é um blog de psicologia, então porque estou falando isso?

Na verdade, eu quero fazer um pedido a todos que visitam este blog, e que estão se envolvendo cada vez mais nessa arte. Além de paciência, tenham calma e serenidade… Não entrem em discussões sobre quem tem o melhor bonsai, jamais critique o trabalho de alguém, nunca menospreze uma pessoa que está pedindo ajuda. Lembre-se que ninguém nasce sabendo e que se você julga o seu bonsai melhor que o dos outros, pode apostar que lá fora (China, Japão, Tailândia etc.) existem exemplares que fariam o seu parecer um simples gravetinho.

Já temos tantas guerras pelo mundo… Não vamos estragar a arte com discussões guiadas pelo Ego. Quando perceber que está discutindo com alguém, cale a boca e vá embora, afinal, quando um não quer, dois não brigam, certo?

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Concurso Shohin Bonsai 2008

Olá a todos!

Eu já falei por aqui sobre as classificações de bonsai de acordo com o seu tamanho, e vocês devem se lembrar que os pequenos (com tamanhos que variam de 10 a 25cm de altura) são chamados de Shohins, e há algum tempo atrás (mês passado, para ser mais preciso) aconteceu o julgamento do Concurso Shohin Bonsai 2008, realizado pelo Atelier do Bonsai. É um concurso “virtual“, onde você submete a foto do seu bonsai e este é julgado por grandes nomes do bonsai mundial, a princípio pode parecer meio confuso ter jurados internacionais julgando trabalhos brasileiros, mas é importante lembrar que, apesar de ainda estarmos iniciando neste arte, alguns trabalhos brasileiros nada deixam a desejar quando comparados com exemplares internacionais!

Como é o caso do Shohin de Pithecolobium tortum trabalhado pelo amigo Fabio Nery, que ganhou o 3º lugar neste concurso com este exemplar abaixo (cliquem na foto para maiores detalhes):

22cm de altura, estilo Moyogi… Lindo, não? Pois assim são todos os trabalhos do Fabio, detalhista, cuidadoso e compactos… Em breve colocarei outras fotos por aqui, por hora deixo novamente meus parabéns pelo concurso!

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Atualização – Calliandra

Olá pessoal, tudo certo com vocês?

Bom, hoje vou postar aqui a evolução de uma intervenção feita há algum tempo (mais ou menos 2 meses atrás). Pois bem, ela cresceu e encheu toda novamente, e eu a deixei crescer livre assim justamente para ter mais opções de ramos, que seriam selecionados mais tarde. Ficarei devendo uma foto mais recente do seu estado pré-poda, mas ela estava no famoso formato “bolinha” completamente cheia, mais ou menos assim:

Neste último sábado (01 de Novembro), estive na Chácara Tropical e trabalhei algumas plantas, dentre elas esta Calliandra, fiz a desfolha total e comecei a traçar o futuro da planta, fazendo um jin no ápice, para que este atravesse a copa, quando estiver completa. Como o tempo era curto, não deu para aramar e nem finalizar a poda dos galhos, porém planejo fazer isto neste próximo final de semana.

Essa é a nova estrutura da Calliandra, agora é só direcionar os galhos para baixo (mas com um certo movimento para não ficar algo muito simétrico) e esperar que ela volte a encher. Com o clima do Rio de Janeiro, acredito que antes de Fevereiro ele já esteja “pronto“, e aí vou começar a pensar naquelas raízes, e ver se deixo aquela pedra ou se coloco outra.

De quebra ainda trago pra vocês esse Pithecolobium tortum, que foi inteiramente trabalhado pelo Roberto Gerpe.

Pequenininho, não?

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