Sempre que alguém aparece na minha casa, logo diz “Nossa!! Que lindas suas plantinhas! É difícil fazer isso?” Eu apenas sorrio e digo que difícil é conseguir parar de fazer.
O bonsai é um hobby relaxante e empolgante ao mesmo tempo. Digo empolgante porque no início, quando estamos descobrindo as espécies e tudo mais, queremos todas as plantas… Grandes, médias, pequenas, minis, não importa, o que importa é aumentar o acervo e conhecer o nome científico de cada planta, suas particularidades e cuidados necessários, tem gente que chega a marcar quantas horas uma determinada planta está recebendo de sol, por dia. Uma euforia só, e nessa fase acumulamos muitas plantas sem futuro, com desenhos errados, ou com crescimento lento demais.
Depois chega a fase da procura pelo equilíbrio, você começa a tentar se dedicar a algumas espécies das quais gostou mais, tenta se desfazer das outras e busca aprimorar suas técnicas, mas as recaídas ainda acontecem, mesmo porque você ainda está aprendendo…
O equilíbrio só chega quando a maioria de suas plantas está encaminhada, você olha para seu acervo e sorri com orgulho, sabendo que agora você já pode pegar outras plantas, mas sem aquele ritmo acelerado, e trabalhá-las com mais calma.
Quando você atingir o equilíbrio, pode ter certeza de que o bonsai já te modelou, tanto quanto você o fez. É uma troca mútua, uma relação que só bonsai e bonsaísta conseguem perceber. Muitas pessoas acham que é só regar uma plantinha, que é só cuidar e acabou… Mas não é bem assim, quem cultiva bonsai de verdade possui outra visão de mundo, sabe que a cada rega, cada poda, ele está fortalecendo seu vínculo com aquele ser vivo, afinal a planta tem vida também.
Querendo ou não, existe o “lado zen“, que te relaxa quando você contempla suas criações, que te dá mais calma e paciência para lidar com as situações do dia-a-dia. Com o tempo você vai deixando de ter aquela vida agitada, bem comum nos grandes centros urbanos, e vai percebendo que tudo tem seu tempo, e que um passo dado em uma determinada direção hoje, por mais que pareça errado no momento, em um futuro te colocará no caminho certo. A correria ainda vai existir, mas você passa a lidar com as situações com mais calma.
É curioso, pois quando comecei a cultivar bonsai, nunca pensei que “simples plantas” pudessem causar tamanha transformação, talvez nem com todo mundo isso funcione, mas comigo funcionou e a cada dia que passa eu gosto mais de estar envolvido neste novo mundo, participando de eventos, palestras, exposições, sempre fotografando tudo e compartilhando meu aprendizado com vocês.
Particularmente, eu espero causar pequenas mudanças em vocês também, seja com o despertar da vontade de cultivar bonsai, ou seja apenas ampliando seus horizontes, inserindo um pouco de natureza em suas vidas. Espero que estejam gostando do que eu publico por aqui, e se quiserem sugerir algum tema, tirar alguma dúvida… A caixa de comentários está sempre aberta, e o formulário de contato também.
Amigos, a minha demora em fazer um novo post é justificável, estava preparando a seqüência de fotos do último trabalho do Mestre Roberto Gerpe.
Antes de publicar o trabalho aqui, uma breve biografia deste artista:
Roberto Gerpe, possui mais 20 anos de dedicação a pratica do bonsai, e é considerado um dos bonsaístas com umas das melhores bagagens técnica e cultural, do Brasil, com relação a arte.
Formado em engenharia química, Roberto sempre preferiu o lado das artes. Seu inicio no bonsai foi com Namizo Nakamura de Friburgo no RJ. Iniciou então, a sua coleção de bonsai, fez vários cursos na Alemanha com Horst Krekeler, por mais ou menos 8 anos, incluindo workshops com grandes mestres como Marc Noelanders e Udo Fisher. De volta ao Brasil conheceu o Mestre Hidaka, e até hoje o tem como mestre.
Na Califórnia estudou com Ernie Kuo por três anos e com John Naka por dois anos. Trabalhou também com Hary Hirao, Msaru Ishi, e fez workshops com Ken Myata.
Na Florida fez parte da Shofu Bonsai of Sarasota e participou de vários workshops. Fez demonstrações para South West Bonsai Association of Florida, Tampa Bonsai association, Fort Myers Bonsai Association etc.
Atualmente é responsável pelas plantas da Chácara Tropical, onde continua ministrando seus cursos e participando das oficinas da Sociedade Brasileira de Bonsai. Gerpe, como todo mestre, é uma pessoa extremamente simples e humilde, sempre disposto a ensinar e bater um bom papo.
Esse último trabalho do Roberto, foi inspirado no famoso “Goshin” de John Naka, seu antigo mestre (já falecido), porém ainda está sem nome, fica então o espaço aberto para sugestões (o próprio Roberto falou que está aceitando sugestões), quem quiser sugerir um nome, pode deixar a idéia nos comentários que eu mesmo me encarrego de repassar ao Gerpe.
UPDATE: Como o próprio Roberto disse, no comentário deixado neste post, o nome desta flores é SHIBUI, que significa, a representação de um objeto artístico, no caso esta floresta, sem extravagância ou ostentação.
Eu já fui, e ainda sou, aluno do Gerpe e gostaria de deixar aqui meus sinceros agradecimentos por ele ter me permitido postar as fotos para vocês. Antes que eu me esqueça também, quase todas as fotos foram feitas pelo Zuma, bonsaísta de mão cheia também e que também pode ser encontrado na Chácara Tropical.
Chega de papo, e vamos às fotos, e se preparem, porque são MUITAS fotos. Como sempre, criei um álbum no FlickR para quem quiser ver todas as fotos, na seqüência exata (Floresta, por Roberto Gerpe).
Amigos, hoje resolvi colocar por aqui um trabalho realizado com o bonsaísta Claudio José Teixeira. Ele possuía em sua casa, uma Leucena com mais de 5 metros de altura, a planta já havia estourado o vaso de plástico em que estava plantada, e suas raízes perfuraram o concreto como se fosse terra comum.
A Leucena é uma das árvores de crescimento mais acelerado que já vi até hoje, plantando através de semente, em uma questão de meses você consegue ter um bom exemplar para bonsai, sem contar a resistência da espécie, que sobrevive com o mínimo de terra (substrato) possível, muitas vezes apenas com umidade constante perto de suas raízes.
O Claudio é o único bonsaísta que conheço, que trabalha com essa espécie, quero dizer, ERA o único, pois depois de conhecê-la eu também peguei alguns exemplares para praticar um pouco.
Mas chega de papo, vamos às fotos, com algumas explicações antes:
Primeiro, foi necessário o uso de uma microretífica para serrar o tronco da Leucena, que é muito duro. O uso de uma ferramenta elétrica não deve ser feito a menos que você já possua alguma experiência no assunto, já que qualquer erro pode causar sérios danos (dependendo da ponteira utilizada, até corte de membros podem ocorrer). Toda a parte de cima da planta foi reaproveitada, estacas foram feitas para que se desenvolvam e ampliem nosso acervo desta espécie. Caso tenham alguma dúvida, não deixem de perguntar, basta deixar um comentário que assim que puder, responderei.