Paradigmas
Em minhas andanças pelos fóruns sobre bonsai daqui do Brasil, tenho encontrado um certo extremismo quando o assunto é o aspecto técnico da arte. Enquanto alguns se julgam os últimos paladinos a defenderem as regras estéticas definidas há séculos pelos japoneses, outros erguem suas tochas e pregam um mundo livre. Por favor, nem oito e nem oitenta, é preciso um pouco de equilíbrio.
Acho que já até falei sobre isso aqui, a arte de cultivar bonsai no Brasil ainda é muito recente mas isso de forma alguma deve significar algum tipo de limitação. Porém… Porém é muito importante entender o seguinte: Sem base, você cai.
Antes de tentar se livrar das amarras das regras, é preciso pelo menos estar preso à elas, não? Como você pode querer quebrar algum paradigma, se nem ao menos sabe o que deve ser quebrado?
Nos Estados Unidos, no Japão e em vários outros países, a arte de cultivar bonsai tem evoluído bastante, as regras de proporção, vaso, triangulação e outras vêm sendo adaptadas, os grandes bonsaístas do mundo (Walter Pall, SiDiao) fazem seus trabalhos da forma que julgam ser bonitos, sem se preocupar muito com métricas e regras, Water Pall inclusive é autor da frase “Não faço bonsai, eu faço árvores“.
O que vemos em alguns fóruns daqui do Brasil são cópias, apenas cópias. As pessoas olham os trabalhos feitos por quem tem coragem de arriscar e, se não for alguém famoso, torcem o nariz como se só os famosos pudessem criar algo novo. Pera lá, não é bem assim.
Como em toda arte, no bonsai também existem artistas e artistas. Existem artistas que usam stencil para pintar seus quadros, e todos sempre saem iguais, outros jogam tintas em seus quadros, de uma forma aparentemente desordenada, quem pode dizer que um está certo e o outro errado? Por ser arte, não é uma questão de certo/errado e sim de inspiração e sentimento. Sempre, e disso não há como fugir, você precisa colocar seu sentimento na sua arte, seja qual for a intensidade ou objetivo, senão passa a ser algo mecânico, sem vida, automático.
O que nos leva a um ponto interessante. Ao copiar o trabalho alheio, você está apenas tentando reproduzir, copiando centímetro por centímetro, sem colocar sua assinatura no trabalho. Mas porque as pessoas se sentem confortáveis em admirar trabalhos de bonsaístas estrangeiros, famosos, mesmo que estes quebrem as regras, e quando um bonsaísta brasileiro tenta fazer um trabalho que foge dos padrões, é crucificado como herege?
Este bonsai, por exemplo… Que regra existe nessa obra de arte feita pelo SiDiao? Será que ele ficou pensando se o primeiro galho estava perfeitamente alinhando com o resto do tronco? Ou será que ele visualizou o todo e executou o trabalho? Será que para chegar nesse resultado ele ficou consultando seu livrinho de regras? Ou se preocupou em fazer um trabalho bonito?
E porque as pessoas batem palmas para ele, e não valorizam o produto nacional, quando este quebra as regras também? Acho que precisamo abrir um pouco nossas mentes e deixar o novo surgir. Regras servem para ajudar os iniciantes, mas de forma alguma podem significar a prisão de uma arte.


Acho que isso existe em todas as áreas, não só no Bonsai. Tudo que é gringo e foge dos padrões é visto como ‘evolucão’, mas os nacionais que foge do padrão é errado.
Eu nem vou entrar nos detalhes, mas acredito que muitas vezes o Brasil é esta merd* pq o próprio brasileiro não se dá o valor…
Bem, não foi um comentário muito relacionado com Bonsai, mas é o que eu penso…
[]s
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